08 de julho de 2026
Nacional

Nova novela das seis da Globo será outro remake

Folhapress
| Tempo de leitura: 2 min

“Se você pudesse prever os fatos, suas escolhas seriam mais fáceis?” Partindo dessa premissa, a novela “O Profeta”, que estréia hoje, às 18h, na Globo, pretende contar a história de Marcos (Thiago Fragoso), um jovem paranormal que desenvolve o dom da premonição e tem de aprender a lidar com as dores e benefícios que a condição lhe traz. A novela tem como base o sucesso homônimo de Ivani Ribeiro (1922-1995), escrito nos anos 70 para a TV Tupi, e segue a onda dos remakes da emissora que, nos últimos dois anos, produziu duas obras do tipo: “Cabocla”, novela de Benedito Ruy Barbosa reeditada em 2004, e “Sinhá Moça”, outro título de Barbosa, cujo último capítulo foi ao ar nesta sexta.

“Acho importante revisitar clássicos, e a TV brasileira tem história suficiente para isso. É um prazer enorme trabalhar na obra da Ivani Ribeiro. Acho essa busca pelo novo uma obsessão boba. Há obras supernovas que não são criativas”, afirma a autora Thelma Guedes, que assina a adaptação da trama ao lado de Duca Rachid. Rachid acredita que o fato de reescrever uma história já bem-sucedida dá mais segurança para os autores.

Na sua opinião, Ivani Ribeiro criou, junto com Janete Clair, o modelo adotado nas novelas atuais. “Elas inventaram a novela moderna, que desenvolve um tema por capítulo”, diz. Da versão original, as autoras procuraram manter a espinha dorsal da história, mas com alterações significativas. A principal delas é a época de ambientação: a história escrita para a Tupi se passava na década de 70, mas agora as autoras investiram nos anos 50. “É uma época efervescente no Brasil, isso nos dá bastante assunto para explorar”, afirma Rachid.

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Paranormalidade

Além de se valer de um texto popularmente consagrado, “O Profeta” ainda aposta na paranormalidade para conquistar o público. O tema costuma alavancar a audiência das novelas que desenvolvem o assunto. Com a espiritualista “Alma Gêmea”, exibida no ano passado, Walcyr Carrasco, que assina a supervisão de texto da novela, conseguiu atingir média geral de 39 pontos de audiência, índice considerado alto para o horário das seis da tarde.

Para Mauro Alencar, doutor em teledramaturgia pela USP, a temática tem grande apelo popular por ser um assunto “confortante” e trazer um “alívio para o ser humano”. “As histórias que se desenvolvem em torno desse tema normalmente são bem-sucedidas. As pessoas querem saber que podem reencontrar um ente querido depois da morte. Foi assim em ‘A Viagem’, outra novela de Ivani, que mostrava o reencontro com pessoas falecidas.”