Em Bauru, subiu para oito o número de farmácias autorizadas a receber queixas e informações da população sobre possíveis reações adversas e desvios de qualidade dos medicamentos. Denominadas “notificadoras”, há um ano o total dessas farmácias na cidade não passava de duas.
Mas o aumento de estabelecimentos credenciados a receber reclamações não é sinônimo de alta na quantidade de registros. Pelo menos metade das farmácias situadas no município, até ontem à tarde, ainda não haviam sido procuradas por consumidores insatisfeitos com o remédio adquirido.
“Nunca recebemos reclamações, também não nos ligaram. Acho que é falta de informação”, diz Jair Dutra, proprietário de uma das farmácias que tornou-se unidade notificadora há cerca de 40 dias. Num outro estabelecimento, a realidade é semelhante.
“A gente vai para São Paulo (em reuniões) dá até vergonha. Em outras regiões como São José do Rio Preto e Ribeirão Preto, o total de notificações é muito maior. No ano passado, recebi apenas uma, mas parou por aí. Acho que falta divulgação”, diz Neiva Rosa Marin Lopes, proprietária de estabelecimento e farmacêutica.
Mas a sua colega de profissão Renata Colnaghi, que em seis meses não registrou notificações, pontua que o projeto é voltado à pesquisa e não à simples denúncia. “A pessoa não precisa se identificar. É tudo sigiloso”, ressalta. Tanto que as reclamações encaminhadas pela farmacêutica Cristina Harue Hayashi foram colhidas a partir de reclamações usuais feitas por clientes habituais.
Eles comentam despretensiosamente sobre algum problema e ela o remete ao Centro de Vigilância Sanitária Estadual. “Na época que saía muita divulgação, ligavam. Isso no ano passado”, comenta Cristina. Neste mês, ela registrou apenas um caso. Em setembro, nenhum. Como a quantidade não é regular, ela não dispõe do número total de queixas remetidas, desde que passou a participar do projeto piloto.
O estabelecimento dela foi o primeiro a tornar-se unidade notificadora em Bauru. Em cerca de seis meses, ela estima ter enviado aproximadamente 20 notificações. No entanto, ainda não obteve retorno sobre os problemas apontados.
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Credenciamento
As farmácias de Bauru, sendo uma delas municipal, foram credenciadas por meio de uma parceria da Secretaria do Estado da Saúde (por intermédio do Centro de Vigilância Sanitária Estadual), da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e do Conselho Regional de Farmácia do Estado de São Paulo.
Elas têm como objetivo aumentar e melhorar a qualidade de informações sobre reações adversas e desvios de qualidade dos remédios comercializados no País.
“As notificações são analisadas, enviadas para a Anvisa e, posteriormente, ao Centro de Monitoramento Internacional da Organização Mundial de Saúde, que recebe informações de 86 países ligados ao Programa Internacional de Farmacovigilância”, afirma Marcos Mendes, coordenador de Farmacovigilância do Centro de Vigilância Sanitária (CVS) Estadual.
As farmácias com o selo “Farmácia Notificadora” são definidas de acordo com critérios como presença obrigatória de farmacêuticos durante todo horário em que estão funcionando, adequação à legislação sanitária nas esferas federal e estadual e situação regular junto ao Conselho Regional de Farmácia.
Da Redação