10 de julho de 2026
Regional

Igreja beatifica padre por milagre

Ricardo Santana
| Tempo de leitura: 4 min

Barra Bonita - Para a família de João Paulo Lopes da Silva Polotto, 16 anos, não há dúvida que foi concedido um milagre após o acidente que praticamente abriu a cabeça do então menino João Paulo, de apenas 5 anos. Para a Igreja Católica, não há dúvida de que o responsável pela bênção foi o padre espanhol agostiniano Mariano de La Mata Aparício, que no dia 5 de novembro será beatificado, na Catedral da Sé, na Capital.

Esta será a primeira beatificação no Estado de São Paulo. João Paulo foi atropelado por um caminhão em Barra Bonita (68 quilômetros de Bauru), em 1996, após se desgarrar da mão de sua mãe, a médica Eliana Lopes da Silva Polotto. Eliana, João Paulo, o irmão Pedro Paulo, na época com 10 anos, estavam em Barra Bonita em uma excursão do Colégio Agostiniano São José, da cidade de São José do Rio Preto.

Enquanto aguardavam a chegada de um barco para o passeio, circulavam pela avenida. O pai de João Paulo o engenheiro Paulo Roberto Polotto conta que no momento em que anunciaram que o barco havia ancorado, o garoto de cinco anos cruzou a avenida. Apesar de não estar com os familiares no dia, Paulo conta com detalhes o acidente. Segundo o pai, o caminhão bateu na cara do garoto, arremessando seu corpo longe e em seguida quase passando com a roda sobre seu corpo estirado no chão.

A imagem era desesperadora, relembra Paulo Roberto. Enquanto o garoto era hospitalizado em Jaú praticamente sem vida, o pai mobilizava o sogro, o também médico Gilberto Lopes da Silva, e um especialista (neurocirurgião) para seguirem de São José do Rio Preto, onde a família reside, até Jaú.

Em São José do Rio Preto, o padre Luiz Miguel, que era diretor do Colégio Agostiniano, mobilizou a escola em orações pela recuperação do garoto.

“Como meu sogro é médico, ele voltou da UTI e disse ‘que fatalidade’”, explica Paulo Roberto, que acreditava tinha perdido o filho. Ele conta que a caixa craniana do filho estava trincada de uma extremidade a outra e com a fissura passando por uma região crítica do cérebro. “Só faltavam dois centímetros para abrir o cérebro. Era interna e só se via a marca do pneu nas costa de João Paulo. O médico falou que não tinha o que fazer”, salienta.

João Paulo ficou quatro dias em coma profundo na Unidade de Terapia Intensiva (UTI). Neste intervalo, o inchaço na cabeça diminuiu e foi possível fazer exames na criança em outro hospital. “Comecei a observar que tudo aquilo (a cabeça) foi voltando ao lugar. Os olhos dele estavam saltados e voltaram. Ele estava paraplégico, não mexia de um lado. Parece que atropelaram o moleque errado”, brinca.

Volta à vida

Paulo Roberto conta que 15 dias após ser atropelado o garoto já andava de patins, voltou à rotina normal e não apresentava nenhuma seqüela. “O médico que atendeu ele lá (em Jaú) veio aqui conferir e quando viu disse que ‘isso é um milagre’”, ressalta.

O fato é que João Paulo não deveria estar em Barra Bonita naquele dia do mês de abril de 1996. A excursão era da turma do irmão Pedro Paulo. Paulo Roberto lembra que, dias antes da excursão, sua esposa pediu ao coordenador da viagem que pudesse ir por preocupação com o filho Pedro. Acontece que João Paulo, o mais novo, era muito agarrado à mãe e foi junto na excursão.

Hoje, João Paulo cursa o segundo ano do ensino médio. O pai lembra que o padre Luiz Miguel contou que rezou muito pedindo por João Paulo ao padre Mariano. “Sou engenheiro e para mim tudo é concreto. Quando começo a recordar porque é um mistério. A esperança nunca está perdida”, avalia.

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Beato

O padre espanhol agostiniano Mariano de La Mata Aparício viveu por mais de 50 anos no Brasil, onde desembarcou em 1931. Antes de São José do Rio Preto, passou por Taquaritinga. Também viveu em São Paulo. Mariano morreu em 1983, vítima de um câncer no abdome. Seu processo de beatificação começou um ano após o acidente de João Paulo, em 1997.

Além do milagre, o Vaticano faz uma avaliação rigorosa da vida do religioso. Mariano tinha como grande virtude o apego a crianças, mendigos e plantas. Seus restos mortais estão em uma igreja na Vila Mariana.