Tem sido curioso acompanhar a polêmica criada em torno da possível vinda da Faculdade de Medicina da Unimar para Bauru. Principalmente porque até aqui as manifestações têm sido somente de médicos. Sentimos a ausência de avaliações isentas e, principalmente, quanto aos reais efeitos que uma faculdade dessa causa numa cidade.
À primeira vista, acompanhando os raciocínios estampados até aqui, fica parecendo extremamente perniciosa para Bauru a vinda daquela instituição de ensino. Mas os argumentos não são claros o suficiente para serem convincentes. Em vista disso, quero levantar duas questões básicas:
(1). É possível que os médicos sejam contra a vinda da Faculdade de Medicina da Unimar, porque isso coloca em risco o “status quo” que adquiriram numa cidade de porte médio como Bauru, sem concorrências maiores. No assunto “Faculdade de Medicina” eu poderia ser considerado leigo. Mas no assunto “Cidade de Bauru” não me considero assim. Pelo contrário, sei muito bem das coisas que trariam benefícios incontáveis para nossa cidade.
Sei, por exemplo, que seria muito produtivo a quebra de monopólio de convênio médico que pune os profissionais que atendem através de concorrentes que tentam chegar à cidade; sei também que é muito bom o aumento dos profissionais anestesistas, aumentando assim a oferta, incrementando a concorrência também nesse setor - e toda concorrência de mercado é muito boa para o povo; sei, igualmente, que o esperneio se deve, com certeza, ao fato de uma faculdade de medicina em Bauru “despejar” aqui uma quantidade de médicos que forçaria a qualidade daqueles que aqui já estão acomodados. Os bons médicos (e há muitos em Bauru) não temem a concorrência. Veja o exemplo da Odontologia - não tem feito mal à cidade. Temos pública e temos particular - e a cidade só ganha com isso. Se lembrarmos a história, quando o ex-presidente Collor declarou em alto e bom som que os carros nacionais eram verdadeiras carroças, as montadoras gritaram. Hoje o resultado da abertura do mercado fez uma verdadeira revolução no setor, o que produziu grandes benefícios ao povo. Por que não experimentar isso também na área médica?
(2). Em algumas opiniões colocadas por profissionais da área, fica meio nebulosa a insinuação de que a referida faculdade não é boa e, portanto, não formaria bons profissionais. Ora, se isso é assim, por que não declaram abertamente esse fato? Por que não denunciam ao CFM ou ao Ministério da Educação? E mais, se não há médicos na cidade para darem supervisão e orientação aos alunos, esse é um problema a ser superado pela própria Faculdade - e se não o fizer, compete ao CRM em conjunto com as autoridades de Educação fiscalizarem e exigirem.
Se vierem médicos de fora para a cidade a fim de suprirem essa demanda, por acaso isso não será bom? Voltando à questão da denúncia, já ouvi em várias oportunidades se levantarem a questão da ética médica para que não hajam denúncias. Mas a ética exigiria exatamente a postura da busca do melhor, lutando contra os maus profissionais. Não nos esqueçamos que esse tipo de corporativismo absolveu um grande número de mensaleiros no Congresso Nacional. O que impede denúncias sérias é justamente o corporativismo que persegue denunciantes para proteger partes contaminadas desse mesmo corpo.
Portanto, a vinda da faculdade não é, em si, um atentado contra a cidade. Então, que venha a Unimar. Que venham outras. E quanto mais, melhor. Que se punam os maus profissionais, que fechem as faculdades ruins, mas que a cidade esteja aberta cada vez mais a ser um pólo de ensino para a região e para o Brasil. Essa é uma vocação que cada vez mais se cristaliza para Bauru.
Edson Valentim de Freitas Filho - diretor do Conselho de Pastores Evangélicos e pastor da Igreja Batista Bereana - RG.1.259.886