08 de julho de 2026
Tribuna do Leitor

Velocidade e infração


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Como forma de hipotecar solidariedade ao idôneo cidadão e amigo, professor da ITE e atual presidente da Emdurb, Celio Buceroni, encaminhamos a esta conceituada Tribuna democrática um humilde arrazoado sobre a função dos radares de trânsito:

1) Toda vez que passamos pela av. Duque de Caxias nos lembramos do Setor D (ou Retão) do Autódromo de Jacarepaguá, onde Senna chegava fácil aos 300 km/H com a Lótus de Colin Chapman.

2) Parodiando a expressão, que já vimos utilizada em várias guerras, “A mãe de todas as batalhas”, poder-se-ia dizer que, de certo modo, a velocidade em excesso é a mãe de todas as infrações de trânsito.

3) A choradeira contra os radares imprevistos lembra a revolta de diretores de Escolas Municipais, quando Jânio Quadros resolvia dar uma “incerta” para ver como andava a bóia dos alunos.

4) Os valorosos fiscais, sejam da Vigilância Sanitária, da Receita, e outros, também deviam avisar publicamente os locais de suas inspeções, antes de efetuá-las, bem como cognominar as suas visitas apenas como “educativas”

5) Os dirigentes da Al Qaeda deviam externar de público seu aborrecimento com as incertas dadas pelos agentes alfandegários americanos nos aeroportos.

6) Viajantes internacionais escolhidos por sorteio para exibir o conteúdo de suas malas, e que por acaso venham a ser portadores de itens proibidos , deviam seguir o exemplo e dizer para a Alfândega: - Vocês pelo menos podiam ter me avisado. Por que não consideram esta medida como educativa? Eu não sabia! Prometo que da próxima vez não faço mais.

7) O prefeito Rudi Giuliani, de Nova Iorque, não tinha nada que fazer a tal campanha da Criminalidade zero, sob o argumento que são as menores infrações que levam aos crimes maiores, embora esta medida, apesar de exaustivamente exposta pela Imprensa, provavelmente deva ter suscitado o “choro” da delinqüência aprendiz.

8) O argumento que o radar deve ser apenas educativo vem contrariar Bertrand Russel: “No ensino, como em outras coisas, a liberdade deve ser questão de grau; há liberdades que não podem ser toleradas. Deve existir um elemento de disciplina e autoridade. A questão é até que ponto e como deve ser exercida “ (Ensaios Céticos, página 146)

9) Nesta toada, os jogadores de futebol deviam requerer à Fifa a suspensão do cartão vermelho, sob a alegação que, às vezes, são aplicados sem aviso prévio. Deviam, além disso, requerer a manutenção somente do cartão amarelo, como elemento educativo.

10) A alegação de que o radar é uma indústria de multa pode levar a uma correlação no mínimo estapafúrdia: que tal considerar também como indústria de multa a fixação de fianças pelos idôneos e insuspeitos membros do Poder Judiciário? Lembre-se que Michael Jackson pagou alguns milhões de dólares para escapar da prisão e esperar o julgamento em liberdade. Será que a punição não tem também seu valor educativo?

Rui Bertoti - médico - ex-CRM-RJ 9.823 – CRM-SP 11.435