Pergunte à autora de “Alta Estação”, que estréia hoje, às 18h, o que vai acontecer nos próximos meses com os seis protagonistas e ela responderá “não ter a menor idéia”. “A única certeza é que não surgirão vilões ou mocinhos”, cutuca Margareth Boury, fazendo uma comparação inevitável entre a sua trama, que trata do cotidiano de jovens universitários, e “Malhação” (Globo), que aposta nos dilemas de adolescentes em fase colegial.
“A novela tem uma dinâmica de seriados e foi proposital, pois sou fã do formato. Mas até por sua duração (a princípio, terá quatro anos), ela tinha de ter esse ritmo”, afirma a autora, que diz ter se inspirado em “Felicity” e “Friends”. É anotando as diferenças - ainda que a própria novelista e parte do elenco tenham atuado em “Malhação” - que “Alta Estação” quer conquistar a audiência da concorrente. O enredo enxuto prova a tese.
Na trama, a doce Bárbara vai estudar no Rio em busca de seu grande amor, o mulherengo Eduardo. Quebra a cara quando descobre que o bonitão não só nem se lembra dela como será pai de um bebê da ex-namorada, Taíssa, alvo da paixão do bem-humorado Caio. Na cidade, Bárbara vai morar com a despirocada Flávia e a neurótica Renata e ainda conhece o gentil Ricardo. Acrescente aí uma vizinha gente boa, um tio solteiro convicto, os pais de Bárbara, a mãe moderna de Flávia, um gerente e o garçom de um bar e pronto: são 15 personagens fixos, que encenarão suas histórias no bar, nas “repúblicas” e na universidade, os cenários da novela, que terá 35 minutos de duração e será exibida de segunda a sexta.
“A novela preserva o tripé romance, ação e humor, mas em um tom mais próximo da realidade”, alfineta o co-diretor João Camargo, que acredita que a “novidade” vai agradar como a concorrente, no ar há mais de dez anos. O tempo e o Ibope darão a resposta.
Jovens ‘de verdade’
Por coincidência ou não, “Alta Estação” é lançada na carona de uma das críticas mais freqüentes à “Malhação”: caricatos e maniqueístas, os adolescentes da ficção seriam muito diferentes dos reais. Para não cair no mesmo “erro”, Margareth Boury resolveu se inspirar em seriados norte-americanos que tiveram sucesso na tentativa de retratar esse “universo”: de JJ Abrams, o criador de “Lost”, “Felicity” (1998-2002) foi ponto de partida para o enredo da personagem Bárbara, que conduz as descobertas de uma nova fase, longe dos pais e perto dos perigos da vida adulta.
Verdadeiro mas nem tanto, o humor seguirá a linha histriônica de “Friends” (1994-2004) - como Monica da comédia, Renata terá obsessão por limpeza.