09 de julho de 2026
Internacional

Eleição na ONU para Conselho de Segurança chega a impasse

Folhapress
| Tempo de leitura: 2 min

Nova York - Após pelo menos oito horas e dez rodadas de votação, a Assembléia Geral da ONU não conseguiu eleger ontem o país que ocupará o assento reservado para América Latina e Caribe entre os dez membros não-permanentes do Conselho de Segurança. A votação será retomada hoje.

O impasse foi provocado pela alta polarização que acabou por transformar cada voto em um veredicto pró ou anti-Washington, a depender do candidato escolhido: ou a Guatemala, oficialmente apoiada pelo governo americano, ou a Venezuela do presidente Hugo Chávez.

Para Chávez, que tornou a candidatura ao CS um dos eixos de sua política externa, o resultado até agora é um golpe na sua ambição de consolidar-se como um interlocutor global. Mesmo sua América Latina - região em que, aliás, o venezuelano colecionou atritos - votou dividida. A Guatemala saiu vencedora em 8 das 9 votações, mas em nenhuma delas obteve a maioria de dois terços dos 192 votos necessária para eleição.

Apenas na sexta houve empate (93 votos). A votação dos dois adversários oscilou a cada rodada. Na última, a Venezuela obteve 77 votos, contra 110 da Guatemala. Houve cinco abstenções. O voto é secreto. A partir da quarta rodada, a eleição foi aberta aos demais membros da Assembléia Geral. México, Cuba, Costa Rica, Uruguai e Panamá foram mencionados como possíveis candidatos, mas só os dois primeiros receberam um voto cada, na sétima rodada.

“Só o começo” “Acho que está bastante claro que há um candidato com forte predominância de votos’’, disse o embaixador americano na ONU, John Bolton, após a quarta votação. Porém, ele descartou uma decisão rápida: “Isso é só o começo”. Já o embaixador venezuelano, Francisco Javier Árias Cárdenas, acusou os EUA de transformar a votação em uma competição entre Washington e Caracas, e disse que os votos a favor da Venezuela eram “votos de consciência” em prol dos países em desenvolvimento. “Não estamos competindo com um país irmão. Estamos competindo com a maior potência do planeta”.

Nos últimos meses, o presidente Chávez empreendeu uma agressiva ofensiva diplomática, baseada na troca de apoio à sua candidatura por acordos milionários no setor petroleiro em países como China, Rússia, Angola e Irã. A ofensiva parece ter dado certo: China, Rússia, Irã e os países da Liga Árabe e da União dos Estados Africanos votaram na Venezuela, segundo o diário venezuelano “El Universal”.