Os veículos são fabricados de maneira padronizada, em grande escala, mas de forma a atender a grande faixa de usuários. Imaginem um casal, um mesmo carro precisa atender a um marido alto e gordo assim como à esposa baixa e magra, por exemplo.
Existem diversas regulagens de bancos (para frente e para trás, reclinação do encosto, altura do apoio de cabeça e, em alguns modelos, regulagem de altura do assento), de espelhos retrovisores interno e externos, regulagem de altura do volante (em certos carros, até regulagem de distância do volante) e dos cintos de segurança, enfim, sempre se acha uma posição confortável para dirigir.
Todas essas regulagens são feitas dentro de parâmetros ditos como “normais”, ou seja, situando-se dentro de uma faixa de cerca de 80% da população. Lógico que uma pessoa de 2,10 metros de altura e 160 quilos irá se sentir um tanto quanto apertada dentro de um Celta, mas esta pessoa seria considerada fora dos padrões “normais” para o Celta.
Para essa pessoa, existem outras alternativas de carros maiores, com mais espaço interno, nos quais esta pessoa se acomodaria melhor. E para pessoas especiais, com limitações motoras ou deficiências físicas como amputações ou paralisias, por exemplo, como se encaixam nisto?
Para elas, existem os carros adaptados, específicos para cada aplicação. Os veículos normais de linha possuem pedais de acelerador e freio de serviço acionados pelo pé direito, pedal de embreagem acionado pelo pé esquerdo, volante de direção girado pelas duas mãos e alavanca de câmbio acionado pela mão direita. Tudo de acordo com convenções mundiais, de maneira a fazer com que uma pessoa possa imediatamente dirigir qualquer carro existente, com pequena adaptação quanto ao tamanho ou potência daquele modelo.
Para as pessoas especiais, existem adaptações que podem permitir que algumas delas voltem a dirigir novamente, após um treinamento com seu novo carro adaptado. Pessoas com limitações nas pernas, por exemplo, mas com os braços perfeitos, podem dispor de acelerador e freio acionados por alavancas no volante, câmbio automático (portanto, sem embreagem), e pronto, elas voltam às pistas novamente.
Já pessoas com certos graus de paralisia podem ter outros tipos de adaptações que lhes forneçam o controle do automóvel. Motoristas com um braço só podem dirigir normalmente usando uma mão segurando uma manopla especial adaptada ao volante, com câmbio automático. Os botões e controles do painel de instrumentos podem ser relocados para mais perto da pessoa, melhorando a ergonomia e funcionalidade. Os bancos podem ter um dispositivo que os gira para fora do carro, de modo a facilitar a entrada e saída da pessoa. Estas pessoas precisam fazer algumas avaliações físicas para obter a licença especial.
Existem empresas especializadas nestas adaptações, certificadas e de boa reputação, que executam um trabalho individualizado para cada caso. A pessoa traz a recomendação médica das necessidades e eles fazem as modificações de acordo.
O governo tem um programa de isenção de impostos para aquisição de carros para estas pessoas especiais, com câmbio automático e outros componentes. Algumas montadoras têm de linha carros adaptados prontos. Enfim, estes projetos custam dinheiro, mas as subvenções em impostos ajudam bastante.
Muitas pessoas que superaram seus traumas físicos e psicológicos voltaram a dirigir e se adaptaram tão bem que nem se notam diferenças em sua maneira de guiar. Entram e saem sozinhas do carro, guardam a cadeira de rodas dobrada no banco de trás e são totalmente autônomas. Como disse, sempre há solução técnica para tudo. Quando não há solução, geralmente é mais em função da restrição física ou motora da pessoa do que da parte técnica da adaptação.
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* Marcos Serra Negra Camerini é engenheiro mecânico formado pela Escola Politécnica da USP, pós-graduado em administração industrial e marketing e engenharia aeronáutica, com passagens como executivo na General Motors (GM) e Opel. Também é consultor de empresas e assina uma coluna na revista Quatro Rodas Nitro.
Seu site é www.marcoscamerini.com.br.