10 de julho de 2026
Política

Educação municipal não vai ter abono

Nélson Gonçalves
| Tempo de leitura: 2 min

Os cerca de 300 professores do ensino fundamental da rede municipal em Bauru não vão receber abono no final deste ano, como aconteceu no final dos dois últimos exercícios. A Secretaria Municipal de Educação não projeta sobra de caixa no volume de recursos destinados ao segmento, em razão da aplicação das verbas disponíveis em formação continuada.

A informação da secretária Ana Daiben foi confirmada ontem pelo prefeito Tuga Angerami (sem partido). O chefe do Executivo lembra que já avisou no ano passado que a distribuição de abonos por sobras de recursos não era a melhor forma de atuação no segmento. “Acho inclusive que esse tipo de medida é uma injustiça com os professores da educação infantil, porque eles ficam de fora”, citou Angerami.

Para o prefeito, a administração tem de investir em reciclagem e formação dos profissionais. “A orientação é para investir em formação continuada. Têm professores que inscrevem seus trabalhos, inclusive, em congresso, vão, participam sendo bancados pela prefeitura e se atualizam. Esses recursos são deste setor, o que é muito mais eficiente do que distribuir abono, porque não é esta a finalidade”, mencionou.

Angerami recordou que as distribuições realizadas no final de 2004 e 2005 foram fruto de resíduos. “Se não usa os recursos para formação continuada por exemplo sobra dinheiro e depois teve que distribuir. Finalizamos o que havia de saldo e não há perspectiva de abono na fase atual”, reforçou.

A secretária Ana Daiben já havia comentado ao JC que considera arriscada a política de abono. Primeiro, porque a forma de distribuição dos recursos conforme a norma privilegia 300 professores do ensino fundamental, mas deixa de fora cerca de 800 profissionais do ensino infantil. “O risco é do profissional ficar com a expectativa desse ganho extra todo final de ano e, como todo benefício, incorporando isso a seu salário, o que é errado”, argumentou.

Para Tuga Angerami, se o Congresso aprovar o Fundo para o Desenvolvimento da Educação Básica (Fundeb), a distorção entre os segmentos vai ser reduzida, embora de foram gradativa. “Ai vamos voltar a bateria do governo para as escolas infantis e as creches, sobretudo porque vieram da Secretaria do Bem-Estar e estão com estrutura precária em muitas unidades. As unidades precisam urgente de melhorias e isso só virá com o Fundeb”, finalizou.