11 de julho de 2026
Polícia

Segundo réu do ‘caso Nélson Olyntho’ pega 12 anos de prisão

Por Thatiza Curuci | Colaborou Ieda Rodrigues
| Tempo de leitura: 3 min

Eram pouco mais de 22h de ontem no Fórum de Bauru quando o juiz Benedito Okuno leu o veredito dos jurados, que condenaram Marcelo Gabriel Ferreira a 12 anos de prisão pela morte do empresário Nélson Olyntho Machado, desaparecido em agosto de 2002 e cujo corpo até ontem não havia sido achado. A defesa pode recorrer. Antes de Ferreira, Fabiano Aparecido Cardoso já havia sido condenado, em março do ano passado, a 16 anos de prisão pelo crime.

Agora, falta ir a julgamento o terceiro réu e personagem principal do caso, o ex-cunhado da vítima, Reinaldo Pereira de Brito. Ele seria julgado ontem, juntamente com Ferreira, mas não foi apresentado ao Fórum. Segundo o promotor Djalma Marinho Cunha Filho, que atuou no caso, Brito não foi apresentado porque foi transferido do Centro de Detenção Provisória (CDP) de Araraquara para São José do Rio Preto no final do mês passado.

“Esse trâmite burocrático impediu que chegasse a requisição dele a tempo de ser trazido para cá”, informou. Além disso, não havia viatura disponível ontem para trazê-lo a Bauru. A nova data para julgamento de Brito ainda não foi definida. Ferreira foi condenado por homicídio qualificado e absolvido da acusação de ocultação de cadáver.

A princípio, os três acusados de terem matado o empresário seriam julgados juntos. Mas, no primeiro júri, em março do ano passado, a defesa conseguiu desmembrar o processo e somente Cardoso foi condenado a 16 anos de reclusão. Como no primeiro julgamento, a família do empresário compareceu ao Fórum de Bauru pedindo a condenação.

Próximo júri

Ao ouvir o veredito de Cardoso, num julgamento mais rápido que o esperado, a ex-mulher do empresário, Célia Maria Dalben, disse que agora espera por uma pena ainda maior para Brito, que seria o mentor do crime. “Mesmo assim a nossa angústia não vai passar porque até hoje o Nélson não foi encontrado”, disse.

No início do julgamento, o irmão do empresário desaparecido, José Olyntho Machado Jr., acreditava haver entre os acusados um pacto de morte. “Se um deles denunciar o outro, este será morto“, diz. Durante o julgamento, o réu limitou-se a responder apenas uma pergunta feita pelo juiz. Quando questionado se havia assassinado o empresário, ele respondeu que “não participou nem matou Nélson”. As demais perguntas, como por exemplo, se ele conhecia o empresário ou se sabia de desavenças entre Nélson e Brito, não foram respondidas.

O desaparecimento de Olyntho, na época com 52 anos, é um dos casos policiais de maior repercussão dos últimos anos na região. Em depoimento, Ferreira confessou que participou do seqüestro de Olyntho e que viu ele sendo espancado por Brito e Cardoso até ficar desacordado. Os dois pretendiam, segundo Ferreira, enterrar o empresário em uma cova que ele viu já aberta na área rural de Agudos.

Na época que foi preso, cerca de 20 dias após o empresário ter desaparecido, Ferreira chegou a apontar para a polícia o local onde supostamente Brito e Cardoso pretendiam enterrar a vítima, no meio do cafezal. A polícia fez buscas no local usando um trator para escavações e não localizou o corpo. A suspeita da polícia na época e da família era que o corpo de Machado chegou realmente a ser enterrado no local apontado por Ferreira, mas foi retirado antes das buscas.

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Desavença familiar