Com apenas 4 anos, um garoto tornou-se popular num bairro periférico de Bauru por pedir diariamente moedas em frente a um mercado. De chupeta azul na boca e sem pronunciar corretamente as palavras, os moradores da região já entendem com facilidade o pedido da criança. Quando o dinheiro não vem, a manha e o choro são quase certos.
Embora more a aproximadamente 100 metros do estabelecimento comercial, muitas vezes o menino passa o dia na rua se alimentando com biscoitos comprados via esmola. Entre os moradores da região há quem garanta que ele também passe dias sem tomar banho. A situação é ainda mais grave porque ele sofre de problemas de saúde.
A mãe confirma uma doença na cabeça, sem conseguir especificá-la. Diz que ele está em tratamento, que cuida bem dele, mas que não consegue impedi-lo de pedir dinheiro. Garante que até palmadas já deu na criança ao proibir a prática. Mesmo assim, ontem foi advertida por negligência pelo Conselho Tutelar. E não é a primeira vez que o órgão passa pela casa dela.
“Conversamos e ela foi convocada a comparecer no conselho amanhã (hoje)”, explica Ivanilde Cristina Abílio Momesso, conselheira do órgão. De acordo com a conselheira, existe possibilidade dela ser encaminhada a um Centro de Referência da Assistência Social (Cras) da cidade. O menino também poderá ser matriculado numa instituição como creche. A idéia é evitar que ele permaneça na rua.
À reportagem, no entanto, a mãe contou que o menino já estuda. A criança, porém, teria ficado anteontem o dia todo próximo ao mercado. “Tem gente que ajuda (a família). Já ouvimos falar que a mãe não quer o menino”, comenta uma moradora, que pediu para ter o nome preservado. A moça nega.
Diz que não vai entregar o filho e que tem condições de sustentá-lo, assim como a outra filha mais velha. Para evitar constrangimentos ao garoto e em respeito ao Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), o JC não divulgou o nome da mãe, da criança e do bairro. O objetivo é não identificá-la.