São Paulo - Vitórias ou grandes recuperações costumam ser ótimos remédios contra crises nas equipes de futebol. Mas no Palmeiras, o que tem valido é exatamente o inverso: bons resultados ofuscados por declarações ou decisões que tornam o ambiente pouco amistoso. Foi isso o que aconteceu nestes dois dias de preparação do time para a partida contra o Vasco, hoje, em São Januário, às 22h.
Depois de uma recuperação heróica no domingo, ao sair de um 2 a 0 desfavorável para um empate com o Atlético-PR nos últimos minutos, o Palmeiras viveu um clima com ares de crise, como se tivesse sofrido uma goleada ou voltado para a zona do rebaixamento do Nacional. Mas a origem do ambiente pesado não é o que acontece dentro de campo.
Desta vez, a polêmica decisão do clube de proibir seus jogadores de comentar a respeito de atrasos de salários e sobre as próximas eleições presidenciais fomentou uma mini-crise. A tensão ficou ainda maior com a atitude do assessor de imprensa do Palmeiras, José Isaías, que ontem tentou limitar o tema das perguntas a serem feitas pelos jornalistas.
Mas esta não é a primeira vez que jogos do Palmeiras são precedidos de tensão maior do que a que o resultado da rodada anterior poderia sugerir. Pelo menos em outros três momentos da equipe ao longo da competição o clima foi “esquentado” por polêmicas nascidas dentro do grupo. Uma delas, ainda nos tempos em que Tite era o treinador. Logo depois da vitória de virada sobre o São Caetano (3 a 1), Edmundo deixou o gramado do Parque Antarctica dizendo que só não havia feito mais um gol porque “a inveja não deixava”. Estava se referindo ao meia Juninho, com quem discutira durante a partida por não ter recebido um passe.
A afirmação de Edmundo e os fatos resultantes dela, tomaram conta da semana seguinte nas entrevistas após os treinos e ofuscaram o resultado diante do time do ABC. O atacante, aliás, foi pivô de uma nova afirmação que mais uma vez colocou fogo no ambiente palmeirense e deixou um triunfo em segundo plano. Após vencer o Flamengo, Edmundo disse que o técnico Marcelo Vilar era “bonzinho” e que isso fazia com que os jogadores mais experientes tivessem que ajudá-lo a manter a disciplina no elenco.
Até a demissão de Tite, o momento mais turbulento do clube após a Copa do Mundo - quando o time passou a jogar melhor do que no começo do Brasileiro -, aconteceu mais por causa de uma polêmica extracampo do que pelo último resultado do técnico no Palmeiras, uma derrota fora de casa para o Santa Cruz (3 a 2). Logo depois daquele jogo, o diretor de futebol palmeirense, Salvador Hugo Palaia, aconselhou o técnico a calar a boca e parar de reclamar de arbitragens.
As conseqüências da declaração do dirigente só não foram maiores porque na partida seguinte veio uma vitória diante do líder São Paulo - comemorada aos prantos por Palaia. Para Marcelo Vilar, polêmicas como essas podem atrapalhar o rendimento do time dentro de campo. “Nesse momento não podemos nos apegar a outros problemas. Já temos muitos outros problemas. polêmica não nos interessa.”