09 de julho de 2026
Regional

Tentativa de estupro revolta bairro

Rita de Cássia Cornélio
| Tempo de leitura: 4 min

Pederneiras - Um dia após terem enfrentado uma situação estressante com uma tentativa de estupro contra uma menina de 5 anos, moradores do bairro Cidade Nova, em Pederneiras (26 quilômetros de Bauru), ainda estão revoltados, embora haja divergências de opiniões. A mãe da menor não foi encontrada ontem para falar sobre o assunto.

Alguns moradores não querem ser identificados para não entrar em conflito com a mãe da vítima. Entretanto, são taxativos em afirmar que deveriam ter espancado mais o acusado, o ex-presidiário Ivanildo Severino, 29 anos, conhecido por Nildo, por ele ter tentado estuprar a menina. “A polícia não deixou.”

Outros avaliam que a situação foi provocada por descuido da mãe da garota. “Ela vive com quatro filhas menores. Saiu e deixou as meninas com ele na casa dela. Ele é um ex-presidiário que cumpriu pena por estupro, o que ela esperava?”, questiona.

O delegado Márcio José Alves confirma que em depoimento a mãe disse que deixou os filhos sozinhos, porém não mencionou se eles estariam sob a responsabilidade de Nildo. Alves reiterou que a situação será esclarecida em depoimentos posteriores.

Polêmicas à parte, uma das vizinhas contou como tudo aconteceu. “As meninas estavam com o ex-presidiário na casa. A vítima estava nua, porque tomava banho. De repente, ele pegou ela e saiu em direção ao matagal. A irmã dela, de 4 anos, correu aqui em casa e pediu ajuda, dizendo que a irmã estava sendo levada pelo Nildo.”

A irmã e a vizinha correram em direção ao matagal e não viram os dois. A mulher diz que seu marido vinha vindo para casa quando ela pediu ajuda dele para procurar a garota. “Nisso, a mãe delas vinha chegando. Ela tinha ido comprar mistura. Eu contei e ela saiu correndo para procurá-los.”

De acordo com essa moradora, uma outra vizinha ouviu os gritos da vítima e acionou a polícia. “A polícia veio e muita gente do bairro entrou no mato e passou a procurar o Nildo. Ele foi espancado. Apanhou muito e foi preso”, detalhou.

A moradora explicou que a menina foi muito machucada pelo acusado. “Eu não sei se ela foi estuprada, mas a mãe dela foi levá-la para o Instituto Médico Legal (IML) de Bauru para os exames.”

Me sinto culpada

A sitiante Dalma Tomaz mora ao lado do bairro Cidade Nova e se sente culpada por não ter agido rapidamente. “Eu poderia ter evitado, mas tive medo de me envolver. Achei que era mais uma briga de casal.”

A mulher diz que não sofre mais com os gritos de socorro femininos. “Neste bairro, há muitas brigas de casais e não estranho quando as mulheres berram.”

Mas, na noite de anteontem, ela estranhou o pedido de socorro recheado de desespero de uma criança. “Eu estava com visita em casa e ouvi a menina pedindo socorro. Ela gritava e aquilo me incomodou. Eu falei que ia ver e fui aconselhada a não me envolver.”

Os gritos não paravam e a mulher chegou a sair na janela. “Eram gritos de desespero. Optei por deixar as visitas com meu marido e saí correndo em direção à vila, precisava saber o que estava acontecendo.”

No caminho, a sitiante percebeu que os gritos cessaram. “Eu encontrei um casal e achei que eram eles que estavam brigando. Eles me explicaram que não era isso e que estavam à procura da menina que havia sido levada pelo Nildo. Ao mesmo tempo, apareceu a mãe da menina”, conta.

Dalma confessa que, quando o pedido de socorro cessou, ela pensou no pior e se sentiu culpada. “Demorei para agir. Poderia ter acionado a polícia antes e ter evitado que ele machucasse a menor.”

Ela lembra que mesmo antes da chegada dos policiais, os moradores passaram a fazer buscas no matagal. “Eles entraram no matagal e não encontravam ninguém. De repente, aparece o Nildo. Ele já tinha ido na casa da mãe dele tomar banho.”

Os moradores, segundo a sitiante, queriam espancá-lo até a morte. “Naquele momento não podiam matá-lo, porque a menina não tinha sido achada.” Depois de duas horas do fato é que a vítima foi encontrada. “Ela não estava amarrada. Foi deixada perto da lagoa e foi encontrada por um rapaz que mora aqui no sítio.”