11 de julho de 2026
Nacional

Oposição retorna ao TSE com novos recursos pelo caso do dossiê

Folhapress
| Tempo de leitura: 3 min

Brasília - A campanha de Geraldo Alckmin (PSDB) protocolou ontem dois novos recursos na Justiça Eleitoral cobrando a apuração de uma suposta “operação abafa” no caso da compra do dossiê contra tucanos. Pediu também investigação para analisar se houve abuso do poder econômico do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que tenta a reeleição, para obter o apoio do governador Blairo Maggi (PPS-MT).

A cruzada da oposição terminou em uma “saia justa” no final do dia, ao ouvir do presidente da Associação Nacional dos Delegados de Polícia Federal (PF), Sandro Torres Avelar, que “não há operação abafa” sob o inquérito do dossiê e que a instituição é “séria” e “isenta”. Os presidentes dos três partidos de oposição - PSDB, PFL e PPS - acusam o ministro Márcio Thomaz Bastos (Justiça) de interferir nas investigações da PF para não prejudicar a candidatura Lula. Bastos nega e diz que a oposição está querendo “privatizar a investigação”.

Ontem, foi protocolado um pedido de extensão da ação em curso no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) que trata do caso do dossiê. O pedido é para que o corregedor eleitoral, ministro Cesar Asfor Rocha, relator do caso, dê início à fase de instrução do processo e convoque testemunhas para serem ouvidas. Foram incluídos os nomes do diretor da PF em São Paulo, Severino Alexandre, e do chefe do núcleo de custódia, Jorge Luiz Herculano.

O texto aponta “indevida interferência do ministro da Justiça em favor dos interesses da candidatura Lula” e diz que Thomaz Bastos estaria agindo “quer pela facilitação que propiciou aos investigados de combinarem uma versão de defesa, quer pela orientação das alegações a serem feitas”. A oposição pede ainda que seja anexado ao processo cópia da reportagem da revista “Veja”, publicada no final de semana.

Segundo a revista, houve um encontro fora do horário regular na PF em São Paulo entre Freud Godoy, ex-assessor do Palácio do Planalto, e Gedimar Passos, ex-membro da campanha do PT, preso tentando comprar um dossiê contra o PSDB por R$ 1,75 milhão. Thomaz Bastos nega. O outro pedido de investigação acusa o presidente Lula de “comprar” o apoio de Blairo Maggi no segundo turno em troca da liberação de R$ 1 bilhão para apoio aos produtores de soja. Blairo é um dos maiores produtores de soja do país. A medida, entretanto, acabou adiada para depois da eleição.

“Saia justa”

O presidente do PSDB, Tasso Jereissati (CE), e do PPS, Roberto Freire (PE), enfrentaram a “saia justa” após reunião com representantes da associação dos delegados da PF. A oposição esperava receber o apoio da entidade, mas Avelar disse que “a investigação está sendo conduzida como deveria”. O encontro foi solicitado por Avelar, que disse estar preocupado com o delegado afastado Edmílson Bruno, segundo ele, “uma pessoa séria e correta”. Bruno foi o responsável pelo flagrante do dossiê, mas acabou afastado do caso.

A declaração de Avelar, de que a investigação era conduzida de forma séria e que não estava havendo operação abafa, foi feita ao lado de Tasso, que reagiu: “Hoje se constatou que há a preocupação de toda uma categoria com o que está acontecendo com o delegado Bruno, que é uma prática fascista, a perseguição através do medo, de processo e demissão daqueles que agiram contra uma determinação de esconder os fatos que partiu do ministro da Justiça”.