09 de julho de 2026
Internacional

Bush sanciona lei que cria tribunais de exceção

Folhapress
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Washington - A apenas três semanas das eleições legislativas, o presidente dos EUA, George W. Bush, sancionou ontem a lei que autoriza a prisão de “combatentes inimigos” pelo tempo que julgar necessário, ainda que sem autorização formal, e que dá ao Executivo a tarefa de determinar quais métodos podem ser usados nos interrogatórios.

A legislação, apelidada pela oposição democrata de “lei da tortura”, cria também tribunais militares de exceção - o que permitirá o julgamento dos presos na base americana de Guantánamo, em Cuba, sem a observação da Constituição dos EUA ou da Convenção de Genebra.

O Pentágono espera julgar mais de 70 dos 435 presos, a começar em 2007.

Em junho, a Suprema Corte havia decidido que tais tribunais violavam a legislação. Críticos e juristas prevêem nova disputa legal.

A assinatura da lei ocorre seis semanas após Bush reconhecer que a CIA interrogou suspeitos em outros países secretamente - com a lei, os interrogatórios secretos passam a ser legais. Ele voltou a dizer que “os EUA não torturam” e definiu a lei como um “instrumento vital” no combate ao terror.

Bush pressionou o Congresso para que aprovasse a lei a tempo de ele sancioná-la antes das eleições.

Uma das principais bandeiras republicanas é a guerra ao terror. O Comitê Nacional Republicano divulgou ontem um texto, intitulado “Democratas deixariam os terroristas livres”, listando democratas que votaram contra a lei.

A sanção gerou novos protestos. O senador democrata Russ Feingold disse que os americanos “se recordarão deste dia como uma mancha na história da nação”. A União de Liberdades Civis Americana classificou a lei como “uma das piores medidas contra as liberdades civis já aprovadas no país”.