Itapuí - Foi discutida na reunião dos representantes das avícolas de Itapuí (44 quilômetros de Bauru) com a Companhia de Tecnologia e Saneamento Ambiental (Cetesb) de Bauru, ambientalistas e vereadores da cidade a necessidade de se instalar no município uma estação de tratamento de esgoto para amenizar o problema de poluição da água do Córrego Bica de Pedra.
O encontro ocorreu anteontem, na Câmara, após uma solicitação feita pelo ambientalista José Vítor Ficcio, integrante da Organização Não Governamental (ONG) Bica de Pedra, à Cetesb de Bauru.
Representantes das três avícolas de Itapuí (Itabom, Santa Cecília e Santa Fé), participaram do encontro, que contou com a presença de vereadores da cidade e do gerente da Cetesb, Alcides Braga, que explicou de que forma o órgão atua na fiscalização ambiental, seguindo as normas da legislação.
“Nós esclarecemos que o trabalho da Cetesb, de fiscalização, é uma ação de rotina, que é medir o tratamento dos efluentes, ou seja, verificar se ele está apresentando a eficiência que consta na legislação”, comenta o gerente.
No entanto, durante a reunião, foi colocada em discussão a necessidade de Itapuí tratar o seu esgoto domiciliar. De acordo com os participantes da reunião ouvidos pela reportagem, a instalação de uma estação de tratamento de esgoto no município ajudaria a diminuir a poluição do Córrego Bica de Pedra.
“Solicitamos aos vereadores presentes que se empenhassem em resolver o problema de tratamento do sistema de esgoto do município. Embora não seja a solução (o município tratar os efluentes das avícolas), existe uma carga remanescente do sistema de tratamento (das avícolas) que é a redução em termos de carga orgânica prevista em legislação de 80% (...)”, explica Braga.
E completa: “O sistema de tratamento do município é fundamental porque a demanda dos esgotos superam a demanda de carga orgânica das avícolas. E, além de resolver o problema do município, que é a maior carga poluidora das águas, ele complementa o tratamento (das indústrias)”, argumenta Braga.
O ambientalista Ficcio lembra que o trabalho da ONG Bica de Pedra foi reconhecido pelo gerente da Cetesb porque ajuda a fiscalizar o meio ambiente.
“Nós vamos denunciar quantas vezes for necessário. O que nós gostaríamos mesmo é erguer a bandeira branca e que se criasse uma aliança onde trabalhasse todo mundo unido para resolver o problema de Itapuí. É uma vergonha o estado que se encontra o nosso esgoto e o lixão”, desabafa o ambientalista.
Avícolas
O gerente de produção da avícola Santa Fé, Renzo Sataro Barbosa, que participou da reunião, também concorda que o município deve fazer a sua parte.
De acordo com ele, as avícolas estão investindo dinheiro para adequar o tratamento de efluentes líqüidos à legislação, mas o mesmo não está acontecendo com a administração municipal em relação ao tratamento do esgoto doméstico.
“Na verdade se cobrou da prefeitura em relação à estação de tratamento de esgoto. Os frigoríficos estão correndo atrás para ficar tudo dentro do padrão da legislação. E a prefeitura tem que fazer o tratamento adequado no esgoto da cidade”, critica.
O gerente de manutenção da Itabom, Fernando Vieira de Souza, que também esteve presente à reunião, disse que a avícola está preocupada em saber quem é a empresa responsável pelo lançamento irregular de resíduos poluentes no esgoto na cidade e que espera que a Cetesb possa divulgar o nome dos responsáveis.
Segundo ele, a Itabom não tem nada com isso pois trata 100% do seu esgoto líqüido e provenientes de emissão gasosa. O JC procurou o representante da avícola Santa Cecília para que expusesse sua opinião sobre a reunião de anteontem, mas até o fechamento desta edição não obteve resposta.