São Paulo - A Polícia Federal (PF) descobriu que R$ 5.000,00 dos R$ 1,1 milhão que seriam utilizados por emissários petistas para comprar o dossiê contra tucanos passaram por bancas de jogo do bicho no Rio de Janeiro. Segundo as investigações da PF, o dinheiro teria transitado, pelo menos em algum momento, por bancas ligadas a Antônio Petrus Kalil, localizadas na Baixada Fluminense, no Rio de Janeiro. Não significa, porém, que seja ele o fornecedor do dinheiro.
Conhecido como Turcão, Kalil é apontado pelos investigadores como um bicheiro antigo, cujos negócios ontem são tocados por prepostos e familiares. Segundo a PF, como ele tem um grande capital de giro, também atua como uma espécie de ressegurador de bancas menores a fim de garantir o pagamento de eventuais ganhadores. Nesta linha, abre-se para a investigação a possibilidade de que o jogo do bicho tenha sido utilizado para reunir parte ou a integralidade dos reais que seriam utilizados para comprar o dossiê.
A PF chegou ao nome de Turcão por meio do trabalho de informantes. A eles foram apresentadas pedaços de fitas de calculadora encontrados em meio ao dinheiro. Uma das fitas tinha a inscrição “Caxias 118”. Os papéis também tinham um carimbo em comum.
Os reais foram apreendidos por policiais no dia 15 de setembro em um hotel, em São Paulo, quando os emissários petistas se preparavam para fechar a negociação com prepostos da família Vedoin, que comanda a máfia dos sanguessugas. Ao ler anotações inscritas nas cintas, os informantes associaram o dinheiro aos negócios de Turcão, cuja atuação hoje se concentra em Niterói.
Busca e apreensão
A PF agora tenta apurar de qual banca teria saído o dinheiro. Se de alguma de propriedade de Turcão ou de outra que tenha se valido dos seus serviços como garantidor de pagamentos de prêmios. Anteontem, a PF cumpriu ações de busca e apreensão de documentos em escritórios que seriam comandados por Turcão no Rio.
O resultado do trabalho não produziu informações relevantes. Hoje a PF pedirá à Justiça Federal em Mato Grosso mais tempo para investigar o caso e também apresentará um relatório parcial da investigação, que completa 34 dias.
No documento, o delegado Diógenes Curado Filho, que preside a investigação, resume as providências tomadas pela PF até o momento e indica as razões pelas quais precisa de mais tempo para o trabalho, entre as quais o pedido e análise de novas quebras de sigilo bancário e telefônico para chegar ao dono do dinheiro e coleta de outros depoimentos.
Na próxima segunda, por exemplo, a PF deve ouvir Abel Pereira. Empresário de Piracicaba, Pereira foi apontado pelos empresários Darci e Luiz Antonio Vedoin como uma pessoa capaz de conseguir a liberação de emendas do Ministério da Saúde no final de 2002, quando a pasta era comandada pelo tucano Barjas Negri.
No relatório de Curado também constará que, até o momento, a PF indiciou somente Gedimar Passos, agente da PF aposentado em poder de quem estava parte do R$ 1,75 milhão apreendido em 15 de setembro.
Passos foi indiciado por suspeita de ter praticado o crime de supressão de documento. É que, segundo depoimento de Padilha, ele teria recebido documentos que comprometeriam prefeituras envolvidas com a máfia dos sanguessugas. Mas Passos teria se recusado a apresentar os papéis à PF.
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Antes do 2º turno
Brasília - O deputado Raul Jungmann (PPS-PE), vice-presidente da CPI dos Sanguessugas, disse ontem que o juiz Jefferson Schneider, da Justiça Federal de Cuiabá, defende que parte das investigações sobre a compra do dossiê contra candidatos tucanos por integrantes do PT sejam divulgadas antes do segundo turno das eleições.
Jungmann conversou ontem por telefone com o juiz, que estabeleceu o prazo de 24 horas para a Polícia Federal (PF) encaminhar relatório parcial com as investigações do dossiegate à Justiça de Cuiabá. “Ele (Schneider) disse que sabe da necessidade de que os resultados sejam apresentados antes do segundo turno. Isso vai ajudar a desanuviar o clima político instalado no país”, disse Jungmann.
O delegado da PF, Diógenes Curado, prometeu entregar hoje o relatório parcial ao juiz. Segundo Jungmann, a PF deve pedir prorrogação das investigações por mais 30 dias diante da dificuldade em apurar a origem do dinheiro que seria usado na compra do dossiê.