08 de julho de 2026
Internacional

George W. Bush reforça uso militar do programa espacial

Por Sérgio Dávila | Folhapress
| Tempo de leitura: 1 min

Washington - O governo norte-americano revisou as diretrizes de seu programa espacial, tornando-o o mais militarizado desde a gestão de Ronald Reagan (1981-1989). Segundo a nova versão da Política Espacial Nacional, o país “rejeita qualquer limitação do direito fundamental dos Estados Unidos de operar e adquirir informação no espaço’’.

Os EUA também “negarão a adversários, se necessário, o uso de capacidades no espaço hostis aos interesses norte-americanos’’, continua a ordem, assinada pelo presidente George W. Bush.

A Política Espacial Nacional afirma que o país vai se opor a tratados internacionais que limitem o uso ou acesso dos americanos ao espaço e dá ao secretário de Defesa (cargo hoje ocupado por Donald Rumsfeld) e ao Diretor de Inteligência Nacional (John Negroponte) poderes para que as novas exigências sejam cumpridas.

As ações de ambos, porém, não serão divulgadas. “Projeto, desenvolvimento, aquisição, operações e produtos de atividades de inteligência e defesa espaciais deverão ser classificados (secretos)’’.

Em outubro do ano passado, os EUA votaram contra proposta apresentada na ONU para negociações sobre o banimento de armas no espaço - foi o único voto contrário à proposta, apoiada por 160 países.

É a primeira revisão do programa desde 1996, feita então pelo presidente Bill Clinton. A versão tornada pública da nova política, um documento de dez páginas, “reflete uma posição mais agressiva e unilateral’’, ponderou a revista “New Scientist’’.

Um aspecto envolvendo o novo documento causou estranheza. A nova versão da política espacial foi assinada por Bush em 31 de agosto e colocada no ar às 17h locais (18h de Brasília) de 6 de outubro, o dia útil anterior a um feriado nacional. Não houve divulgação ou entrevista de membros do governo ligados à área. Entrou no site do Escritório de Ciência e Tecnologia da Casa Branca.