09 de julho de 2026
Polícia

Vistoria acha 15 celulares no CDP

Ieda Rodrigues
| Tempo de leitura: 3 min

Em cerca de nove horas de vistoria, agentes penitenciários, com apoio da Polícia Militar (PM), recolheram 15 celulares, uma bateria e um carregador para celular, três pedaços de serra e 144 papelotes de erva esverdeada (aparentando maconha) no Centro de Detenção Provisória (CDP) de Bauru ontem. A revista, que começou por volta das 6h, exigiu a retirada dos presos de suas celas.

Questionada sobre o motivo da vistoria, se havia informações de que rebelião ou fuga estaria prestes a ocorrer, a Secretaria da Administração Penitenciária (SAP), através de sua assessoria de imprensa, informou se tratar de um procedimento de praxe. A vistoria, de acordo com a secretaria, é realizada nas unidades prisionais sempre que se julga necessário.

A última revista feita no CDP havia sido em maio deste ano, após a megarrebelião na primeira das três ondas de ataques do Primeiro Comando da Capital (PCC). Na ocasião, durante a rebelião os presos destruíram parte do presídio que foi inaugurado em 2003.

De acordo com o capitão Flávio Jun Kitazume, comandante da 3.ª Companhia da Polícia Militar que atuou na vistoria de ontem, todo o presídio foi vistoriado minuciosamente. Ele relata que o clima na unidade prisional era de tranqüilidade e que a parte do prédio destruída na rebelião está sendo reformada. Ao todo, 60 policiais trabalharam na operação, que acabou por volta das 15h.

Ontem, o presídio projetado para 768 presos abrigava 951 detentos, segundo informações no site da SAP. É a menor população carcerária desde o final do ano passado. Em maio, mês da rebelião, a unidade chegou a abrigar 1.223 presos.

Os objetos apreendidos ontem, em sua maioria celulares, confirma o indício de que há - ou pelo menos havia - comunicação entre presos e o meio externo. Após as ondas de ataques do PCC, a Polícia Civil de Bauru, através da Delegacia de Investigações Gerais (DIG), e a Polícia Militar apreenderam cerca de dez centrais telefônicas clandestinas.

A maioria delas seria usada para receber e fazer ligações de detentos do CDP, que seria a unidade prisional de Bauru com maior número de adeptos do PCC. Na época das apreensões das centrais telefônicas, o JC levantou hipóteses de como os telefones entram no presídio: uma delas é através de visitas aos presos, que burlariam o sistema de revista. Neste ano já foram apreendidos celulares escondidos no corpo de visitas.

Outra forma de introduzir o celular no presídio seria arremessando-o para dentro ou até usando algum outro método inusitado. Em Araraquara foi apreendida uma pipa que levava celular na rabiola. E a terceira forma seria através dos próprios funcionários dos presídios, que supostamente receberiam propina para entregar celular a presos.

Sobre quais medidas serão tomadas após a apreensão de celulares e drogas no CDP, a SAP informou que sempre que objetos ilícitos são encontrados é instaurada uma investigação preliminar a fim de tentar identificar seus proprietários. Já sobre a possibilidade de vistoria semelhante a ser realizada nas outras três unidades prisionais de Bauru - Penitenciária 1, Penitenciária 2 e Instituto Penal Agrícola -, a SAP informou que, por se tratar de “fator surpresa” e por motivos de segurança, as datas não são divulgadas com antecedência.