08 de julho de 2026
Nacional

Freud e Lacerda perdem sigilo bancário

Por Andreza Matais | Folhapress
| Tempo de leitura: 3 min

Brasília - A Justiça Federal autorizou a quebra dos sigilos bancários de Freud Godoy - ex-assessor da Presidência da República - e de Hamilton Lacerda - ex-assessor do senador Aloizio Mercadante (PT), segundo fontes da Polícia Federal (PF).

O pedido havia sido feito pelo procurador da República Mário Lúcio Avelar, que também queria quebrar os sigilos da mulher de Freud, Simone Messeguer Godoy, e da empresa dela, Caso Sistemas de Segurança, mas a Justiça negou os pedidos.

Com isso, a Procuradoria pretende tentar descobrir a origem do dinheiro - R$ 1,7 milhão - que compraria um dossiê contra políticos tucanos por integrantes do PT.

Freud teve seu nome envolvido no episódio da tentativa de compra de um dossiê contra o então candidato ao governo de São Paulo, José Serra (PSDB), por Gedimar Passos - preso com o dinheiro junto com o petista Valdebran Padilha. Em depoimento à PF, Gedimar disse inicialmente que o ex-assessor da Presidência participou da entrega do dinheiro.

Freud deixou o cargo na Presidência tão logo seu nome foi envolvido no caso. Ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE), os advogados de Gedimar informaram que ele apontou o nome de Freud em seu primeiro depoimento à PF porque foi coagido.

Ao recuar, tentava retirar a única referência a Freud que foi feita até agora na investigação do caso. Para pedir a quebra dos sigilos bancários de Freud e Lacerda, Avelar usou como justificativa informações publicadas pela mídia que o ex-assessor da Presidência teria sacado R$ 150 mil em dinheiro em setembro deste ano - por meio da empresa Caso -, e que o investidor Naji Nahas teria feito um crédito em seu favor de R$ 396 mil.

No caso de Lacerda, ele foi apontado pela Polícia Federal como possível “homem da mala”. É que Lacerda foi filmado pelas câmeras do circuito interno do hotel em que estavam Gedimar e Valdebran. Ele é acusado de ter levado o dinheiro que compraria o dossiê. Lacerda já negou e disse que carregava boletos de campanha. Essa informação, entretanto, foi vista com “estranheza” por Ricardo Berzoini em depoimento para a PF, o que complicou a situação de Lacerda.

Abel

Parceiro de Luiz Antonio Vedoin na máfia dos sanguessugas, Ronildo Medeiros disse à Justiça que o empresário Abel Pereira - suposto amigo de Barjas Negri (PSDB), ministro da Saúde no governo FHC e atual prefeito de Piracicaba -, foi a Cuiabá cobrar propina de Vedoin, no valor de R$ 421,2 mil, dias antes da negociação do dossiê contra tucanos.

Conforme Ronildo, Abel, que mora em Piracicaba, esteve em Cuiabá na segunda quinzena de agosto. Durante encontro em um restaurante, Abel teria pedido a Ronildo para cobrar de Vedoin a dívida de propina. Segundo Ronildo, Vedoin lhe disse que não iria pagar Abel.

O dossiê começou a ser negociado com emissários petistas em 23 de agosto passado. Em 14 de setembro, Vedoin deu uma entrevista à revista “IstoÉ” e entregou documentos à Justiça Federal, em Cuiabá, acusando Abel de receber propina de 6,5% por verba liberada no Ministério da Saúde em 2002, quando Barjas era ministro.

Vedoin diz que Abel era ligado a Barjas e que, por isso, conseguia liberar o dinheiro. Barjas foi secretário-executivo do hoje governador eleito de São Paulo, José Serra (PSDB), quando ele era o ministro.

Outro lado

Eduardo Silveira e Sérgio Pannunzio, advogados de Abel, afirmaram que Vedoin e Ronildo fazem acusações falsas. “Ele diz que pagava propina de 6,5% por verbas e que foram liberados R$ 3 milhões, então não daria R$ 600 mil de propina (cheques mais depósitos). Seria menos (pouco mais de R$ 180 mil)”, afirmou Pannunzio.

O advogado afirma que Abel só conheceu Barjas quando ele era candidato a prefeito em 2004. “Abel vai sempre a Cuiabá por causa da fazenda que tem lá perto. Não sei desse encontro com Ronildo)” disse.