Brasília - Em uma manifestação de consenso, líderes partidários defenderam ontem um reajuste no salário de deputados, hoje de R$ 12.800,00 mensais. “Deputado não pode ficar quatro, cinco anos sem ser reajustado, como qualquer trabalhador (...) Mas tem que ser um reajuste que a sociedade compreenda como algo justo, razoável”, afirmou o líder do PT, Henrique Fontana (RS).
O último aumento ocorreu em fevereiro de 2003, quando o salário passou de R$ 8 mil para R$ 12.700,00. O valor depois subiu para os atuais R$ 12.800,00, por conta de um reajuste de 1% dado aos servidores federais.
Fontana disse que é “evidente” a defasagem salarial dos congressistas e defendeu uma “desmistificação” no debate sobre o tema.
“Não vamos alimentar uma visão antideputado, antiparlamentar. O parlamento, por pior que seja, não é pior que a ditadura”, afirmou, antecipando-se às críticas.
Líder da minoria na Câmara, o deputado José Carlos Aleluia (PFL-BA) avaliou que o petista fez “uma análise serena” sobre o tema. “O reajuste pode acontecer, não vejo nenhum impedimento.”
Ele ressaltou a necessidade de cortar gastos em outros setores para não elevar o orçamento geral da Casa. Já o líder do PMDB, Wilson Santiago (PB), foi o único a sugerir um valor que considera razoável para os congressistas: R$ 24.500,00, o mesmo que ganham os ministros do Supremo Tribunal Federal (STF).
“Não podemos causar uma falta de interesse do cidadão na política porque não há uma remuneração justa”, disse.
Na véspera, o presidente da Câmara, Aldo Rebelo (PC do B-SP), admitiu que há uma reivindicação de parlamentares para o reajuste de seus salários. Ele afirmou, entretanto, que o tema não está em pauta na casa.