Mais um exemplar do “J-Terror” chega às telas de Bauru. De Takashi Shimizu, o mesmo diretor de “O Grito 2”, também em cartaz, estréia hoje no Cine Bauru “Almas Reencarnadas” (“Rinne”). Mas nesse longa de 2005, ele parece ter apostado no “lado sério” de seu talento para criar um suspense com direito a metalinguagem.
Na história, Nagisa Sugiura (Yûka) é atriz iniciante que consegue um papel no filme “Memória”, adaptação para as telas da história verídica de uma chacina em um hotel turístico, ocorrida há 35 anos. Nagisa já tinha visões estranhas com uma menina e sua boneca e, no primeiro dia de filmagens, descobre que interpretará justamente a menina de suas visões, filha do assassino e última pessoa a morrer no local.
Com vultos passando às costas das pessoas, crianças-fantasmas, ameaças ao elenco do filme dentro do filme, uma fita com imagens do crime e uma idosa que parece ter lido o roteiro antes de todo mundo, o longa não foge dos clichês já estabelecidos pelo cinema de terror oriental.
Outro problema recorrente do gênero é a ausência de qualquer explicação para as aparições e ataques dos espíritos, como na série “O Grito”. Tudo é nebuloso demais a favor dos sustos, mas contra um enredo sólido e uma boa construção de personagens.
Uma curiosidade que Shimizu faz questão de explorar são as referências à “O Iluminado” de Stanley Kubrick, como os planos pelos corredores do hotel onde ocorreu a chacina e o clima de claustrofobia.