07 de julho de 2026
Política

PPS e PV poderão se fundir

Marcelo de Souza
| Tempo de leitura: 2 min

A implantação da cláusula de barreira pode unir dois partidos políticos tradicionais. A negociação entre PPS e PV está bem adiantada e as duas siglas, mais PHS e PMN, podem formar nova legenda, ideologicamente voltada de centro para a esquerda, com 37 deputados federais. O deputado federal Arnaldo Jardim (PPS) confirmou a possibilidade de se formar este bloco partidário.

Em visita a Bauru, ele comentou que as conversas entre PPS e PV estão bem adiantadas e a decisão de formar o novo partido pode sair nos próximos dias. “Atualmente, os itens mais importantes são o meio ambiente e o desenvolvimentismo, que fazem parte dos programas do PV e do PPS”, afirmou.

Já há uma carta de intenções assinada por PPS, PV e PHS. A situação do PMN ainda está indefinida. O documento, redigido pelas lideranças dos três partidos, determina a criação de uma nova legenda, com nome provisório de Democráticos de Esquerda, com a manutenção de certa independência entre eles. Seria uma federação de partidos maquiada juridicamente para ser uma fusão. Nos primeiros anos, os recursos do fundo partidário, o tempo de televisão e a distribuição de cargos seriam feitos proporcionalmente ao tamanho das bancadas dessas três legendas.

Os partidos formarão uma só legenda, mas terão divisões internas para manter a autonomia. O item 2 da carta de intenções diz o seguinte: “Manter a plena autonomia de cada agremiação para que cada uma continue na sua atividade própria, mantenha sua identidade e busque a integração. No caso de surgirem dificuldades, que se estabeleça um prazo para reexame, inclusive que haja espaço para dissolução”.

Pela cláusula de barreira, os partidos deveriam ultrapassar os 5% dos votos válidos para deputado federal e 2% em, no mínimo, nove Estados do País. Os partidos que não atingiram essa meta vão perder direito à liderança na Câmara dos Deputados e à participação nas comissões, além de perder o direito ao tempo em rádio e TV e acesso à divisão da maior parte do Fundo Partidário.

De acordo com Jardim, a cláusula de barreira não contribui para as discussões em torno da reforma política, uma das principais reformas que devem ser discutidas na próxima legislatura. Para ele, ao invés de fortalecer os partidos, a cláusula foi no sentido inverso, já que várias siglas importantes não conseguiram alcançar o percentual mínimo para “sobreviver” politicamente. “A cláusula de barreira é um absurdo do ponto de vista político, e não contribui para a reforma política que eu gostaria que fosse feita no país. A reforma política deve levar ao fortalecimento e a cláusula de barreira pode fazer o contrário”, ressaltou.