08 de julho de 2026
Regional

‘Sangue na Rua’ procura doadores

Davi Venturino
| Tempo de leitura: 3 min

Botucatu - A Faculdade de Medicina da Universidade Estadual Paulista (Unesp) de Botucatu (100 quilômetros de Bauru) está desenvolvendo o projeto educacional “Sangue na Rua”. O objetivo é capacitar a população, de forma didática, para a doação de sangue.

De acordo com o idealizador do “Sangue na Rua”, o professor Newton Key Hokama, docente da disciplina de patologia clínica, o projeto não pretende simplesmente informar as pessoas sobre a doação de sangue, mas também capacitá-las para serem doadoras.

“A idéia é de que a doação de sangue não é um ato isolado, a doação de sangue envolve até o comportamento de vida. Algumas pessoas, inclusive, que não têm um comportamento adequado devem perceber que não são doadoras de sangue. Nós não queremos que a pessoa fale simplesmente que doar sangue é bom. Nós queremos que ela fale que quer doar sangue e agora sabe como fazer”, ressalta.

De acordo com Hokama, o projeto não visa necessariamente aumentar o número de doadores de sangue, mas sim a qualidade da doação. “O doador que vem para nós é o que chamamos de reposição, que são parentes e amigos dos que foram internados aqui e que pedimos para doar. O doador que nós desejamos é o doador voluntário, espontâneo, que vem a cada dois ou três meses e faz da doação um hábito. É o que chamamos de doador voluntário fidelizado”, explica.

O projeto foi desenvolvido dentro da temática “Ciência Móvel” pela Faculdade de Medicina da Unesp (FMU), por meio da Divisão do Hemocentro e do Departamento de Enfermagem. A iniciativa conta com o apoio do Ministério da Ciência e Tecnologia (MCT) e a Academia Brasileira de Ciências.

As atividades, desenvolvidas nas escolas de 1.º e 2.º graus de Botucatu e região, contemplam palestras, distribuição de folderes explicativos, exibição de vídeos e aplicação de questionários.

O professor explica que o questionário é aplicado antes de depois das palestras para verificar o conhecimento dos alunos sobre o tema e determinar a influência do conteúdo das palestras sobre as pessoas.

“Todas as questões relevantes à doação de sangue são testadas nos questionários. Nós fazemos o questionários, recolhemos as provas, fazemos em seguida uma palestra com vídeo e depois aplicamos uma nova prova. Então, é interessante porque verificamos que a palestra tem uma intervenção muito grande nas respostas dos alunos”, explica.

Além do professor, atuam diretamente no projeto a professora Maria José Reis, do Departamento de Enfermagem da Medicina da Unesp; o diretor do Hemocentro do Hospital das Clínicas (HC), o médico José Mauro Zanini; a assistente social Aparecida Donizeti Franco; e a enfermeira do Hemocentro, Laura Tiaki Fujihara.

Cerca de 25 pessoas estão envolvidas no projeto que teve início em julho deste ano, quando foi assinado o convênio entre a FMU e o MCT, que forneceu um micro-ônibus para ser utilizado no projeto. “Nós vamos usá-lo como meio de transporte para as escolas, mas nós fazemos não só nas escolas de 1.º e 2.º grau, mas também nas universidades e colégios particulares, sempre que houver solicitação”, explica o professor Hokama, lembrando que, no mês de agosto, alunos universitários foram treinados para o projeto e os trabalhos de campo começaram em setembro.

Segundo o professor, cerca de 16 cidades da região de Botucatu podem ser visitadas pela equipe do projeto “Sangue na Rua”. “Recentemente, nós fomos para Anhembi e São Manuel. Em Botucatu, nós já fizemos em várias escolas”, diz, lembrando que uma peça teatral de 20 minutos de duração também está sendo encenada nas escolas. A peça, denominada “Um Toque de Amor” tem como tema a doação de sangue.