11 de julho de 2026
Esportes

Automobilismo: Prova vive carência de pilotos sul-americanos

Folhapress
| Tempo de leitura: 3 min

São Paulo - Primeira sessão de treinos livres em Interlagos. Os boxes da nanica Midland-Spyker rivalizam em número de interessados com os de Renault e Ferrari. A explicação é simples. É a estréia do venezuelano Ernesto Viso, 21 anos, como piloto de testes.

A cena ilustra bem a carência de pilotos sul-americanos tanto na F-1 quanto no GP Brasil, único país da América Latina a abrigar uma prova da categoria desde 1998, quando a Argentina foi retirada do calendário.

Neste ano, com a saída do colombiano Juan Pablo Montoya após o GP dos EUA, apenas dois representantes da América do Sul alinham seus carros no grid amanhã: os brasileiros Felipe Massa e Rubens Barrichello.

Sem contar com os pilotos de testes, este é o menor índice de sul-americanos a disputar o GP Brasil nesta década. Em 1999, a situação foi idêntica, com apenas dois pilotos brasileiros correndo - além de Barrichello, havia ainda Pedro Paulo Diniz.

Por coincidência, o ganhador da prova em Interlagos nos últimos dois anos foi o colombiano Montoya - pela Williams em 2004 e a McLaren em 2005.

A dupla Barrichello-Massa representa também o menor número de pilotos da casa em uma corrida no Brasil desde 1999. Em 2000, três começaram o final de semana: Ricardo Zonta, Barrichello e Diniz. O último, porém, não disputou a corrida por causa de um protesto de seu time, a Sauber, contra as condições da pista.

Carros mais lentos

O mesmo piloto, o mesmo traçado, tempo quase meio segundo mais lento. Foi esse o efeito, em Interlagos, da troca dos motores V10 pelos V8. Uma coincidência no resultado dos treinos livres de ontem facilitou a comparação.

Em 2005, quando a categoria usava propulsores de dez cilindros, o mais rápido na sexta-feira foi Alexander Wurz, então na McLaren: 1min12s083, média de 215,2 km/h. Em 2006, o austríaco, agora na Williams, repetiu a dose: 1min12s547, média de 213,8 km/h. No cronômetro, diferença de 0s464, imperceptível para o torcedor.

“Interlagos é basicamente um circuito com dois longos trechos de alta velocidade e um miolo. Mas como há poucas curvas de baixa velocidade, a diferença dos dois cilindros a menos não é grande”, explica Felipe Massa, da Ferrari.

A minúscula disparidade dos V10 para os V8 em Interlagos é uma evidência da evolução da categoria nesta temporada. No Bahrein, que abriu a temporada, em março, a diferença no resultado do primeiro dia de treinos livres em relação ao ano passado foi de 0s658. Na prova seguinte, Malásia, 0s567. E assim a F-1 seguiu evoluindo até atingir o patamar atual.

O objetivo da FIA (entidade máxima do automobilismo) ao trocar os V10 de 3 litros pelos V8 de 2,4 litros era justamente reduzir a velocidade dos carros e, por conseqüência, tornar a categoria mais segura.

Uma meta que iria para o espaço caso a FIA não tivesse tomado outra medida para 2007, estabelecer o monopólio no fornecimento de pneus. A previsão é que a F-1 fique meio segundo mais lenta na temporada que vem.