Dizer com exatidão a quantidade de gases tóxicos emitidos pelos automóveis de Bauru pode até ser empreitada de grande dificuldade, mas uma coisa é fato: os índices de poluição atmosférica aumentaram nos últimos anos na cidade. Qualquer um pode afirmar isso com extrema propriedade, sem necessidade de recorrer a complicados procedimentos científicos ou tecnologias avançadas de avaliação da qualidade do ar.
Basta saber que de 2002 para cá, Bauru apresentou acréscimo de 26.670 veículos em sua frota. Há quatro anos eram 122.305 carros, motos, caminhões e ônibus; hoje já são 148.975. Os dados são da Fundação Sistema Estadual de Análise de Dados (Seade). Mais carros nas ruas representa maior índice de poluição, sobretudo em regiões onde o tráfego é mais intenso.
A Empresa Municipal de Desenvolvimento Urbano e Rural (Emdurb) identificou os pontos de maior fluxo de veículos em Bauru. Na lista dos locais mais movimentados da cidade figuram vias afastadas do Centro, como rua Rafael Pereira Martini, que atravessa Jardim Redentor e o Parque Júlio Nóbrega, ou a avenida Marcos de Paula Raphael, que corta os núcleos Beija-Flor e Mary Dota.
Como não poderia deixar de ser, grandes avenidas como Rodrigues Alves, Nações Unidas ou Duque de Caxias não poderiam deixar de figurar entre as de maior fluxo de veículo na cidade, principalmente nas regiões próximas ao Centro.
Cássio Fabiano de Almeida constata essa realidade empiricamente, todos os dias. Ele trabalha como mototaxista e usa um ponto localizado na rua Treze de Maio, próximo ao cruzamento com a rua 1.º de agosto. “Dirigir aqui é complicado, pois há muitos carros e ônibus circulando”, diz.
São tantos veículos disputando o mesmo espaço que muitos motoristas encontram dificuldade para encontrar lugar onde parar o carro. O projetista Wagner Gomes dos Santos costuma ir ao Centro diversas vezes por semana. “Às vezes é trabalhoso arrumar vaga em horário de pico. Por sorte, existem vários estacionamentos particulares nesta região”, lembra.
Mas os problemas causados pelo grande fluxo de veículos vai além das dificuldades na hora de dirigir ou estacionar. Ednéia Cristina dos Santos trabalha há 15 anos numa banca de jornais localizada na rua Azarias Leite. Ela sabe enumerar com facilidade os efeitos que a fumaça dos escapamentos causa nos pulmões das pessoas. “Para alguém como eu, que tem rinite alérgica, essa poluição gera muito incômodo”, disse Santos, na manhã da última terça-feira, ocasião em que, inclusive, apresentava quadro de tosse ininterrupta.
Os problemas respiratórios não são os únicos reflexos que a vendedora sente em seu convívio diário com os veículos. “O barulho é demais, é comum eu sair daqui estressada. Há dias em que vou embora com dor de cabeça, de tanto ouvir ronco de motor”, garante ela.
De fato, o nível de ruídos é tão alto na parte central da cidade que atividades corriqueiras, como falar ao telefone celular, por exemplo, acabam se transformando em tarefas de grande complexidade. Mas nem todos estão preocupados com o agito provocado pelo tráfego intenso.
Arilde Lopes de Melo é vendedora e costuma passar nove horas seguidas na rua Treze de Maio, onde é grande a movimentação de ônibus e veículos de grande porte. “Eu nem ligo”, afirma. É que ela morou em São Paulo por mais de uma década. “O trânsito de lá é louco, nem se compara ao daqui”, diz.