11 de julho de 2026
Bairros

Efeitos da poluição são maiores sobre as vias respiratórias

Rodrigo Ferrari
| Tempo de leitura: 3 min

Ninguém duvida que a emissão de gases nocivos seja um dos maiores problemas causados pela grande circulação de automóveis na cidade. Os efeitos sobre o organismo humano podem ser sentidos de diversas maneiras, principalmente no sistema respiratório.

“Os agentes poluídores agridem as vias aéreas das pessoas, causando quadros inflamatórios. Isso pode fazer com que caia a resistência do organismo às doenças”, explica José Eduardo Bergami Antunes, que é médico pneumologista (especialista em problemas respiratórios).

Segundo ele, o sintomas do contato do organismo com a poluição são variados. “Em geral, aparecem na forma de ardência nos olhos, chiados no peito ou tosse com secreção”, afirma.

Antunes lembra que as conseqüências costumam ser piores em pacientes alérgicos ou portadores de doenças respiratórias crônicas. “A poluição costuma agravar quadros de asma e bronquite. Quem sofre de rinite e outras doenças alérgicas costuma ser bastante afetado também”, garante.

Por outro lado, Antunes lembra que qualquer um pode estar sujeito aos problemas causados pelos gases tóxicos. “Ninguém está imune aos efeitos da poluição. Mesmo quem não sofre de males crônicos ou alergias pode ter as vias respiratórias agredidas”, alerta.

Neusa Ramos Falcão tem 66 anos e trabalha numa banca de jornais situada nas proximidades da rua Treze de Maio, no Centro. Ela passa diversas horas na presença de carros, ônibus e motos. “Tem dias em que fico com os olhos ardendo de tanta fumaça”, diz.

Antunes reconhece que os gases liberados pelos escapamentos dos automóveis são um fator que colabora bastante para o aumento dos índices de poluição da cidade. “O grande problema no Interior do Estado, porém, é a queimada de biomassa, sobretudo de cana-de-açúcar na época de colheitas”, diz. Na opinião dele, não existem grandes saídas para aqueles que desejam se ver livres dos males causados pela poluição.

“É quase impossível evitar esse contato. Mesmo que a pessoa se tranque em casa, o ar que ela respira será o mesmo de fora. Talvez tentar aumentar a umidade do ambiente ajude a amenizar a situação, mas, para falar a verdade, a única solução que funcionaria seria não gerar poluição”, pondera o médico.

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Ruídos

Neusa Ramos Falcão, 66 anos, é uma das vítimas do trânsito de Bauru. Ela nunca foi atropelada. Na verdade, Falcão enfrenta os efeitos de 22 anos de convivência com a poluição gerada pelos veículos que circulam pelo Centro. Alguém pode imaginar que ela sofre de doenças respiratórias, em decorrência dos gases venenosos produzido pelos inúmeros carros, motos e ônibus que trafegam pelas proximidades .

Mas a poluição que afetou Falcão é sonora. “Meu problema é nos ouvidos. Não escuto direito”, explica. Ela tem uma banca de revistas que funciona na rua Treze de Maio, próxima ao cruzamento com a avenida Rodrigues Alves.

“Quando vim para este lugar, poucos carros passavam aqui por perto”, lembra. Mas o tempos mudaram. Em movimentos opostos, a audição dela regrediu na medida em que a quantidade de veículos avançou na região.

Hoje ela quase não escuta. “Uso aparelho nos dois ouvidos, mas peço para que as pessoas falem alto, pois assim entendo melhor”, diz. Falcão gostaria de mudar sua banca para algum ponto mais tranqüilo na cidade. “Faz tempo que pedi isso lá na prefeitura, mas eles sempre me negam. Vou ser obrigada a continuar neste lugar enquanto suportar”, reclama.