Obesidade e diabetes na adolescência
Prezados leitores,
Nos últimos domingos, tenho abordado vários assuntos referentes às crianças e aos adolescentes. E o que tenho visto com muita freqüência em meu consultório é muitos pequeninos obesos com depressão, colesterol alto e sofrendo discriminação na escolinha por causa de seus “amiguinhos”. Isso é muito triste. Fico comovida, pois eles choram durante a consulta e na maioria dos casos os pais não colaboram, pois continuam comprando comilanças em excesso e querem que eles tenham força de vontade para resistirem a tudo isso. Ora, nem nós adultos temos tal persistência, quem diria eles. A minha intenção é orientar os pais sobre essas doenças e espero que dêem a real importância sobre esse assunto tão sério.
Atualmente, a doença obesidade atinge não somente os adultos, mas também a infância até a adolescência, com os mesmos efeitos do adulto. Se apenas o acúmulo de gordura corporal no sentido estético fosse o problema, menos mal. O pior é que esse acúmulo de gordura excessiva pode trazer conseqüências mais graves, como diabetes, colesterol e triglicérides altos, doenças cardíacas e até câncer. Isso mesmo, ainda da infância até a adolescência!
O diabetes é uma doença crônica marcada pela elevação dos níveis de glicose (ou açúcar) no sangue. A insulina é um hormônio produzido pelo pâncreas e ajuda a glicose a deixar o sangue e adentrar nas células do organismo, como dos músculos, do fígado e de gordura. Pode ser classificada de dois tipos: 1 e 2. Quando uma pessoa tem diabetes, o pâncreas não produz a insulina necessária para remover a glicose do sangue (tipo 1) ou o sangue não consegue utilizar a insulina produzida para remover o excesso de glicose no sangue (tipo 2).
O tipo 1 afeta principalmente as crianças e os jovens e se caracteriza por uma inflamação das células produtoras de insulina no pâncreas, provocando deficiência grave. Neste tipo a pessoa depende da injeção de insulina.
O tipo 2 é a forma mais freqüente e afeta as pessoas acima dos 45 anos, geralmente obesas e com deposição de gordura na região abdominal, sedentárias, hipertensas (pressão arterial aumentada) e com alterações das gorduras do sangue. Neste tipo, a pessoa não depende da injeção de insulina, mas quanto mais a demora para buscar tratamento, mais pode vir a depender das injeções de insulina. Acontece que o diabetes tipo 2, mais comum em pessoas acima dos 45 anos, hoje começa a ser comum já na adolescência.
Os níveis altos ou mal controlados de glicose no sangue podem provocar sede em excesso com vontade de urinar seguidamente, daí o termo diabetes, que significa “vazar como um sifão”. Ainda, fome exagerada, perda de peso, visão embaçada, podendo acarretar em cegueira, infecções repetidas na pele ou nas mucosas, machucados que demoram a cicatrizar, cansaço inexplicável e dores nas pernas devido à má circulação sangüínea. Podem-se levar meses ou anos para se descobrir o problema. Os indícios podem ser vagos, como formigamentos nas mãos e nos pés. É importante investigar a partir dos 40 anos, mas hoje ainda mais cedo.
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Como é diagnosticado?
O tipo 1 (comum na infância) é facilmente detectado devido aos sintomas já citados. O tipo 2 tem um curso mais traiçoeiro. Todas as pessoas obesas, com pressão alta e sedentárias, deveriam fazer um exame de glicose e de insulina no sangue em jejum. Dependendo do caso, o exame da hemoglobina glicosilada também é interessante para uma avaliação mais fidedigna.
Como se previne?
A prática de atividade física regular é fundamental. Manter-se ativo promove uma mudança no metabolismo corporal. O organismo solicita hábitos saudáveis. Para uma alimentação saudável, incorpore à dieta alimentos ricos em fibras e de cores variadas (vegetais pobres em carboidratos como as folhas e algumas frutas como a acerola e a jabuticaba) e proteínas (carnes magras, aves, peixes, ovos, queijos, nozes, soja, feijão).
Diminua a quantidade de gorduras saturadas e trans (margarina, manteiga, bolos, doces, biscoitos, pães brancos, sorvetes) e de carboidratos refinados (massas, arroz branco, açúcar). Esqueça as frituras e prefira alimentos grelhados, cozidos ou assados. Caso goste de leite, sempre desnatado e, de preferência, de soja. Tudo sem exagero.
O tratamento e o controle da obesidade, e como conseqüência do diabetes, são fundamentais, pois ambos não têm cura. Quanto mais cedo forem diagnosticados, melhor à sua saúde.
Pais, é preciso ter consciência que doces, refrigerantes e bolachas devem ser oferecidos aos seus filhos somente em finais de semana e com parcimônia. Ninguém irá consumir frutas e verduras com ofertas de guloseimas em casa. Eles irão agradecer quando ficarem adultos e saudáveis.
Um grande abraço e até o próximo domingo,
Daniela Hueb
Médica, CRM-SP 96.027