09 de julho de 2026
Política

Vagas universitárias crescem 350%

Adilson Camargo
| Tempo de leitura: 3 min

Nos últimos 11 anos, o número de vagas oferecidas todos os anos pelo ensino superior em Bauru cresceu 350%. Saltou de 2,7 mil em 1995 para 12,2 mil este ano, graças, principalmente, à expansão das faculdades particulares. Há uma década, a cidade contava com quatro instituições de ensino superior. Hoje, são nove, com 24 mil alunos matriculados. Juntos, esses alunos seriam suficientes para habitar uma cidade do porte de Dois Córregos.

Se forem incluídos nessa conta os universitários que fazem pós-graduação, o número de alunos sobe para 28 mil. A vocação de Bauru para ser cidade universitária começou em 1951, quando foi fundada a Faculdade de Direito da Instituição Toledo de Ensino (ITE).

De lá para cá, foram abertos mais oito estabelecimentos de ensino superior, consolidando o setor educacional como uma das grandes vocações da cidade.

A expansão foi maior na década de 90, quando Bauru ganhou cinco novas instituições, aumentando o número de cursos e vagas. Começou com a chegada da Universidade Paulista (Unip) em 1997 e seguiu com a implantação do Instituto de Ensino Superior de Bauru (Iesb/Preve), das Faculdades Integradas de Bauru (FIB), Faculdade Fênix e Faculdade do Liceu.

Além disso, as universidades que já existiam, como a Universidade do Sagrado Coração de Jesus (USC), a Universidade de São Paulo (USP), a Universidade Estadual Paulista (Unesp) e a própria ITE, aumentaram a quantidade de cursos e de vagas ao longo dos anos.

Em 1995, existiam em Bauru 49 cursos de graduação e 15 de pós-graduação. Atualmente, a cidade conta com 117 cursos de graduação (incluindo os tecnológicos, de curta duração) e outros 75 de pós (incluindo programas de mestrado, doutorado e especialização). Só na área de graduação o crescimento foi de 139%. Na pós, entretanto, a expansão foi ainda maior, chegando a 400%.

Mercado exigente

O “boom” universitário, na opinião do professor de engenharia Paulo Cezar Razuk, ex-vice-reitor da Unesp, tem a ver com as exigências impostas pelo mercado de trabalho. Segundo ele, cada vez mais exige-se mão-de-obra qualificada e a função das faculdades e universidades é formar esse trabalhador diferenciado.

A opinião é compartilhado pelo economista Carlos Sette. De acordo com ele, o ensino médio já não garante emprego, como acontecia antigamente. Agora, a exigência passou a ser o ensino superior, o que inclui mestrado e doutorado. “De quem tinha uma faculdade, passou-se a exigir pós-graduação para competir no mercado”, destaca.

Sobre a expansão universitária verificada em Bauru, Razuk diz que vê o crescimento com bons olhos, mas faz um alerta. “Nós temos que ter cuidado para que a ampliação dos cursos não prejudique a qualidade do ensino”, diz ele. “Os alunos têm de exigir cursos com qualidade”, recomenda.

Na avaliação da diretora acadêmica da Faculdade Fênix, Vera Casério, a procura intensa de alunos da região por cursos oferecidos em Bauru pode ser encarada como uma aprovação. Ela lembra que muitos alunos vêm de cidades onde também existem faculdades, mas eles acabam optando por Bauru.

Segundo ela, a preocupação em manter e até mesmo melhorar o nível do ensino tem levado as faculdades a aumentar o investimento na formação e na titulação dos professores. “É preciso que os cursos tenham qualidade para preparar esses alunos ou para aperfeiçoar quem já está trabalhando”, afirma.

Natália Cantão Boiani é uma entre os milhares de alunos de cidades da região que escolheu Bauru para estudar. Ela fez todo o ensino médio na cidade, atualmente cursa o terceiro ano de direito na ITE e já faz planos para uma futura pós-graduação. Moradora de Iacanga, Natália viaja todas as noites, de segunda à sexta-feira, a exemplo do que fazem quase todos os alunos da região. Apesar da rotina cansativa, ela afirma que o sacrifício vale a pena. “Se não for assim, nós nunca vamos ter nada”, conclui.