Reino Unido - A cena parece saída de um filme de ficção: um garoto está andando de bicicleta na calçada quando a voz de uma autoridade invisível surge do nada. “O rapaz de camiseta preta na bicicleta poderia, por favor, desmontar?”, diz a voz, em um tom educado.
Surpreso, o garoto procura o lugar de onde vem o comando - um alto-falante acoplado a uma câmera, no alto de um poste- e obedece, enquanto as pessoas na calçada o observam, algumas rindo, outras espantadas. Se a história parece incrível, “você ainda não ouviu nada’’, como avisa o slogan da prefeitura de Middlesbrough, no nordeste da Inglaterra, sobre a novidade da cidade no combate à desordem social: câmeras de vigilância com sistema de som.
A cena é apenas uma das muitas que se tornaram corriqueiras desde que a cidade instalou, há dois meses, alto-falantes que permitem às autoridades intervir no momento em que uma infração é cometida. A prefeitura não esconde o princípio por trás do novo método: envergonhar o infrator.
A reportagem visitou o centro de operação das câmeras de Middlesbrough, que funciona 24 horas por dia. Três operadores por turno sentam-se em frente a 28 monitores ligados às 146 câmeras que vigiam as ruas. Sete delas, todas na região central, ganharam alto-falantes, cuja meta não é reprimir crimes mais sérios como roubos - contra os quais são ineficientes, segundo estudos do governo -, mas infrações leves, como jogar lixo na rua, brigar ou furtar cones de sinalização.
Os dados apontam 80% de redução nos pequenos delitos, melhoria na limpeza da cidade, mas há críticas de sociólogos e organizações de defesa das liberdades civis. “A humilhação pública não é a melhor forma de controle social”, disse ao jornal “The Guardian”.