Uma pesquisa realizada pela ex-chefe de enfermagem Shirley Rangel Gomes, do Hospital São Camilo, de São Paulo, mostra que 62% dos acidentes envolvendo crianças aconteceram dentro da própria casa ou na de parentes. A escola ficou em segundo lugar com 15% e a rua com 11% dos casos.
Mateus de Souza Carvalho, 7 anos, é um exemplo disso em Bauru. Durante algumas “manobras radicais” no quintal de casa, ele caiu do skate e fraturou o braço direito. O brinquedo, segundo ele, foi um presente do avô em seu último aniversário. Apesar do acidente, Mateus não desiste. “Não tenho medo de cair de novo”, afirma.
Com base nos dados levantados durante a pesquisa, a enfermeira Shirley concluiu que a maior parte dos acidentes acontece na presença da mãe. Segundo ela, o comportamento das crianças muda muito quando a mãe está por perto e na maioria das vezes é só para chamar a atenção. Estima-se que 90% desses acidentes podem ser evitados com ações educativas e modificações no ambiente onde vive a criança.
De acordo com a coordenadora de comunicação da Organização Não-Governamental (ONG) Criança Segura, Fabiana Kuriki, os acidentes mais comuns dentro de casa são as queimaduras, quedas, afogamento e intoxicação. Este último provocado por ingestão de medicamentos e produtos de limpeza, que normalmente são deixados em locais de fácil acesso às crianças.
Na rua, os acidentes mais comuns são as quedas de bicicleta, patins e skates. Neste caso, um dos maiores perigos são as lesões na cabeça, que podem levar à morte ou deixar seqüelas permanentes. A maneira mais eficaz de evitar essas lesões é usar capacete.
De acordo com a ONG, que atua no Brasil desde 2001, acidentes com crianças estão entre as principais causas de mortalidade infantil no País. Segundo a entidade, ações de prevenção poderiam evitar a morte de cerca de 6 mil crianças todos os anos.