11 de julho de 2026
Esportes

No adeus, Schumacher exibe frieza de sempre

Por Folhapress | AE
| Tempo de leitura: 3 min

São Paulo - Ele cometeu erros na pista, não conseguiu o octocampeonato nem o título de construtores e tampouco chegou ao pódio ontem. Mas a performance do alemão Michael Schumacher, que caiu para último lugar e terminou a um posto do pódio na última corrida de sua carreira, ofuscou o título de Fernando Alonso e fez do heptacampeão o nome do GP Brasil. Tanto que, logo em sua primeira entrevista coletiva como ex-piloto, uma das primeiras perguntas que Schumacher teve que responder foi se ele poderia voltar à F-1 no futuro.

“É engraçado. Durante o ano, me perguntaram várias vezes se eu já havia tomado a decisão sobre o futuro. Decidi e anunciei. Agora, já há questões a respeito de uma volta...”, disse ele, sem transmitir muita emoção.

Aliás, desde a manhã de ontem, todas as suas declarações foram em um tom bastante sereno. Não houve lágrimas, não houve falas com a voz embargada, o que soaria estranho no último dia de trabalho de um mito do esporte - se este mito não tivesse se notabilizado justamente por sua frieza.

A entonação para falar que nunca sonhara que um dia fosse capaz de tantos feitos quando começou na categoria, no meio da temporada de 1991, foi a mesma que o recordista de recordes do automobilismo usou na protocolar declaração de parabéns ao espanhol que o superou na luta pelo título. Talvez por não saber se o adeus lhe trazia satisfação ou tristeza. “É uma mistura de sensações.”

Seu pai, Rolf, sempre muito discreto, abraçou o filho ao final da prova. “Ele estava muito contente, se aproximou e disse ‘finalmente acabou e posso relaxar um pouco’.” Rolf dá entender que, apesar da tranqüilidade aparente, sente-se tenso nas corridas. Seu outro filho continua na Fórmula 1, Ralf, na Toyota.

A imprensa buscou formas de tentar saber mais sobre seu futuro. O que você estará fazendo dia 18 de março do ano que vem? O piloto da Ferrari riu. “Deve ser a data da abertura do próximo Mundial, acredito. Vou estar em casa, com meus filhos, provavelmente diante da TV para assistir ao GP da Austrália”, contou.

Carreira plena de exigências, desgaste, sucesso. Longa ou curta, perguntaram para Schumacher. “Apenas intensa”, respondeu. Amou o que fez? “Sim.” Quando começou, em 1991, pensou chegar onde chegou? “Não mesmo.”

Depois, espontaneamente Schumacher disse: “Sentirei falta dos torcedores. Sempre me apoiaram, mesmo nos momentos difíceis. Eles me deram confiança para seguir adiante. Só posso dizer obrigado, muito obrigado aos que torceram por mim.”

Acabou. O que você faria diferente, com a experiência de hoje? “Claro que tenho arrependimentos, algumas coisas faria de outra maneira.” A sua última corrida na Fórmula 1 mereceu uma comemoração: “Vamos jantar hoje (ontem) à noite. Eu, Corinna (esposa), meu pai, o pessoal da equipe, meus amigos da Alemanha e da Suíça, Willi (empresário).”

A diferença por encarar seu último GP ele sentiu ao ser premiado por Pelé, minutos antes da largada e quando gesticulou para um retardatário que atrapalhava sua escalada pelo pelotão. O ex-jogador de futebol revelou que o piloto lhe confessou estar um pouco nervoso por chegar ao fim da carreira.