08 de julho de 2026
Internacional

Norte-coreanos já sinalizam recuo

Folhapress
| Tempo de leitura: 2 min

Washington - A semana foi de intensos esforços diplomáticos, mas a comunidade internacional ainda não tem certeza se a Coréia do Norte vai realizar outros testes nucleares ou vai retomar a negociação sobre o assunto, após as sanções impostas pela Organização das Nações Unidas (ONU).

Um alto funcionário do governo japonês afirmou ontem à agência de notícias Kyodo que Tóquio e Washington acreditam que a Coréia do Norte não mudou de idéia em relação ao seu programa nuclear, apesar das declarações do líder do país, Kim Jong-il, relatadas nos últimos dias pelo representante chinês enviado à Coréia do Norte, Tang Jiaxuan. Tang disse que Kim negou a intenção de fazer novos testes.

A China - tradicional aliada do país - expressou otimismo, dizendo que iria convencer a Coréia do Norte a desistir de suas ambições nucleares e retomar as conversas.

O presidente chinês, Hu Jintao, enviou uma equipe de diplomatas a Pyongyang no início da semana após as especulações de que o país pretendia detonar uma segunda bomba nuclear.

De acordo com Tang, Kim disse que uma das “instruções no leito de morte” que recebeu de seu pai, o presidente Kim il-sung, que morreu em 1994, foi que “cumprisse com o objetivo da desnuclearização da península coreana”.

No entanto, Kim afirmou que “prestará muita atenção na resposta que será dada pelos EUA” e reivindicou a suspensão das sanções que a Casa Branca impôs há um ano a instituições financeiras ligadas à Coréia do Norte por suposta lavagem de dinheiro e falsificação de dólares para a compra de tecnologia de destruição em massa.

As fontes ouvidas pela agência Kyodo lembraram, porém, que, em ocasiões anteriores, Kim tinha prometido cumprir a promessa realizada a seu pai sobre a questão.

Kim teria ainda pedido desculpas à China pela realização do teste nuclear do último dia 9, algo a que se opunha radicalmente o Governo de Pequim e teria sinalizado que seu país está disposto a reunir-se com os EUA sobre o seu programa nuclear, desde que Washington retire as sanções financeiras.

Negociações

As conversas, que incluem as duas Coréias, os EUA, o Japão, a Rússia e a China, estão suspensas há quase um ano, depois que os EUA impuseram restrições econômicas a Pyongang.

Em coletiva de imprensa ao lado da secretária de Estado norte-americana, Condoleezza Rice, que realiza uma viagem pela Ásia, o ministro chinês pediu “calma” e uma solução diplomática para a crise.

Durante a coletiva, Rice afirmou que o teste nuclear norte-coreano foi “uma grave provocação”, que ameaça a paz e a estabilidade, principalmente na Ásia.

A China diz estar comprometida em cumprir seus compromissos com a comunidade internacional, mas o premiê Wen Jiabao reiterou que Pequim dá preferência à via diplomática.