10 de julho de 2026
Bairros

Mais três casos de leishmaniose reforçam permanência da doença

Ieda Rodrigues
| Tempo de leitura: 2 min

A leishmaniose visceral humana já não assusta a população como há três anos, quando foi registrada a primeira morte em conseqüência da doença em Bauru, mas a cidade ainda vive uma epidemia. Ontem, o Instituto Adolfo Lutz, de São Paulo, encaminhou ao Departamento de Saúde Coletiva (DSC), órgão da Secretaria Municipal de Saúde, a confirmação de mais três casos da doença.

Agora, já são 47 pessoas infectadas com leishmaniose neste ano em Bauru, com uma morte. No ano passado, o número de casos foi menor –36 –, mas a doença foi mais letal. Durante todo o ano de 2005, quatro pessoas morreram por causa da doença. Neste ano o número de casos aumentou, o que mostra que a epidemia não foi controlada, mas a letalidade está em queda.

Dos novos pacientes, dois são crianças: um menino de 3 anos morador do Núcleo Geisel e uma menina de 5 anos residente no Jardim Ouro Verde, ambos já tratados no Hospital Estadual. O terceiro é um homem de 57 anos morador do Parque Viaduto, que também recebeu tratamento no Hospital Estadual, segundo informou a assessoria de imprensa da prefeitura.

Para Valdomiro Neres Fonseca, que é presidente da Associação de Moradores do Alto Jaraguá e membro do conselho gestor de saúde no bairro, boa parte da população já não se preocupa mais com a leishmaniose. “Aqui no bairro tem muito terreno baldio e a maioria deles tem muito lixo”, comenta ele, lembrando que o mosquito palha, que transmite a doença, se procria em material orgânico em decomposição.

Porém, Fonseca ressalta que o órgão público também não é eficiente. A Secretaria Municipal de Saúde, de acordo com a assessoria de imprensa da prefeitura, vem adotando todas as medidas preconizadas pelo Ministério da Saúde para combater a leishmaniose. Elas incluem o diagnóstico de cães doentes – o animal é reservatório da doença – e orientações ambientais feitas pelas equipes que atuam nas redondezas de onde um caso em humanos é registrado.

O órgão também está realizando o censo canino e cadastramento dos animais, que devem ser concluídos até o final do ano, e em seguida vai distribuir coleiras visando a posse responsável. Com isso, o objetivo é reduzir o número de cachorros errantes nas ruas que possam ser reservatórios da doença.

Para o médico Fernando Monti, que cuida de pacientes de leishmaniose no Hospital Estadual, a redução das mortes mostra que o diagnóstico está sendo feito mais precocemente.

Ele ressalta também que o uso de um novo remédio entre crianças e idosos tem ajudado a reduzir efeitos colaterais. Mas analisando a situação do ponto de vista de um cidadão, ele pondera que há muitos terrenos baldios com lixo, locais propícios para a proliferação do mosquito palha.