11 de julho de 2026
Economia & Negócios

Economia pode ter injeção de R$ 300 milhões no fim do ano

Patrícia Zamboni
| Tempo de leitura: 5 min

A economia de Bauru pode ter um final de ano de peso. Somando a previsão de R$ 50 milhões - podendo chegar a R$ 55 milhões - que serão injetados com o pagamento do 13.º salário aos trabalhadores a uma pesquisa sobre o potencial de consumo da população em 2006, a movimentação pode ser de aproximadamente R$ 300 milhões entre o final de novembro até o Natal. Os dados foram levantados pelo economista Reinaldo Cafeo.

Os cálculos sobre a injeção de valores advindos do 13.º salário foram feitos com base em dados do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese). A previsão para o Estado de São Paulo é de R$ 16 bilhões a mais na economia neste final de ano. No País, estima-se um fluxo em torno de R$ 48,1 bilhões, o equivalente a R$ 2,8 bilhões a mais na comparação com o ano passado.

No caso de Bauru, levando em conta que existem cerca de 90 mil trabalhadores recebendo o salário extra e que parte dessas pessoas já recebeu o benefício (caso dos aposentados e pensionistas do Instituto Nacional do Seguro Social - INSS), o economista chegou ao valor aproximado entre R$ 50 milhões e R$ 55 milhões.

Para chegar à cifra de R$ 300 milhões, leva-se em conta a pesquisa “Brasil em Foco 2006”, feita pela empresa especializada em pesquisas de mercado Target Marketing, divulgada no JC dia 3 de junho.

Baseado em dados socioeconômicos, demográficos e mercadológicos do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o pesquisador Marcos Pazzini e sua equipe estimaram que até o final de 2006 a população de Bauru direcionaria R$ 3 bilhões para a aquisição de produtos e serviços.

“Dividindo este valor pelos 12 meses do ano, chega-se à quantia de R$ 250 milhões por mês. Então, somando a injeção do 13.º salário na economia com esta projeção de consumo apontada pela pesquisa, pode-se dizer que a economia da cidade pode receber injeção em torno de R$ 300 milhões no final do ano”, analisa Cafeo.

Segundo o economista, o salário médio dos trabalhadores de Bauru é de R$ 683,00. Mas para o cálculo da injeção do 13.º na economia local leva-se em consideração que algumas empresas já pagaram ou pagarão o salário extra dos funcionários até o final deste mês.

Além disso, conforme matéria divulgada pelo JC em agosto, excepcionalmente neste ano os aposentados e pensionistas do INSS receberam a primeira parcela do salário extra em setembro. Em Bauru, a liberação desse dinheiro foi feita a 34.750 pessoas, correspondendo a R$ 12.121.875,38.

Pagamento antecipado

Uma empresa do setor de baterias também antecipou o pagamento da primeira metade do 13.º salário. Os 390 funcionários da fábrica receberam o benefício na última sexta-feira. O restante deve ser pago até o dia 15 de dezembro.

“Como as empresas já pagam uma série de impostos em dezembro, como INSS e FGTS, nós decidimos antecipar a liberação da primeira parcela do 13.º salário. Dessa forma, também beneficiamos os funcionários”, diz o diretor financeiro da empresa, Milton José Tessari.

Segundo ele, para pagar os cerca de R$ 450 mil referentes ao salário extra dos trabalhadores, a empresa fez um empréstimo bancário. Em dezembro, além da segunda parcela que será liberada, a empresa ainda pagará cerca de R$ 200 mil em encargos trabalhistas.

De acordo com a lei 4.749, de novembro de 1965, o prazo final para o pagamento da primeira parcela do 13.º salário termina no dia 30 de novembro, e da segunda parcela, em 20 de dezembro. Após o término do prazo, a Subdelegacia do Trabalho em Bauru promove fiscalizações junto às empresas.

Quando fica comprovado que a lei foi desrespeitada, a empresa é autuada. A partir disso, terá dez dias para apresentar sua defesa, que será avaliada por um auditor da subdelegacia. Se a defesa não for aceita, será aplicada multa de 160 Ufirs, ou cerca de R$ 170,00 por empregado.

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Comércio

Na avaliação do economista Reinaldo Cafeo, que também integra a diretoria da Associação Comercial e Industrial de Bauru (Acib), a partir de consultas informais feitas a lojistas o indicativo é de que produtos importados - inclusive para a ceia - estarão entre os preferidos para presentear no Natal em função da desvalorização do dólar frente ao real.

“A estimativa é de que para presentear terceiros, ou seja, pessoas que não sejam diretamente da família, os gastos com os presentes de final de ano girem em torno de R$ 30,00 a R$ 40,00. Já para parentes muito próximos, as escolhas devem ficar entre eletroeletrônicos, como DVDs, e eletrodomésticos, que têm valor mais elevado”, observa.

O presidente da Acib, Cássio Carvalho, acredita que as vendas no comércio devem superar os resultados de 2005. “Prevendo o uso do 13.º salário, os lojistas estão investindo muito nas facilidades de pagamento, e isso atrai o consumidor”, analisa.

Cauteloso, ele orienta as pessoas a dosar bem as aquisições de final de ano. “É importante que as pessoas não esqueçam de seus outros compromissos financeiros para que não façam dívidas para 2006. Quem tiver pendências no comércio, deve procurar seus credores para negociar. Os lojistas estão abertos e dispostos a isso”, orienta Carvalho.

O vice-presidente da Associação das Empresas do Calçadão (AEC), Francisco Alberto Franco de Bernardis, também acredita num final de ano melhor. “Acreditando no potencial de consumo, na segunda quinzena de novembro a AEC e a CDL lançarão uma promoção que sorteará viagens em cruzeiros marítimos”, adianta.