Itapuí - Devagar, a Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais (Apae) de Itapuí (44 quilômetros de Bauru) retoma as atividades depois que a prefeitura depositou judicialmente o valor de repasse à instituição.
O momento é de transição na Apae, com a saída do vereador Wandir Donizete Viaro (PTB) e o tesoureiro e também vereador Valdir Maia (PDT). A nova direção sinaliza politicamente uma neutralidade, querendo afastar a influência político-partidária que foi apontada como a causa da paralisação na entidade.
Marilene de Fátima Rocco Silva, nova presidente da Apae, chegou apontando os novos rumos administrativos e correndo atrás de recursos. “Eu aceitei (a presidência) porque é melhor uma mãe tomar conta do que alguma facção política”, comenta Silva. Ela ocupava a função de primeira secretária da entidade e também é mãe de um aluno que freqüenta a Apae há quatro anos.
A tesouraria da entidade ficou a cargo de Meire Conceição Damázio, que também já trabalhava na Apae.
Segundo a pedagoga Elizete Maria da Silva Prado, diretora geral da Apae, em média 95 alunos são atendidos por semana pela entidade. Ela explica que o atendimento no serviço de hidroterapia já está funcionando, assim como serviços de fonoaudiologia, fisioterapia e psicologia.
“Por semana, nós atendemos 95 pessoas. Nós temos 46 que ficam entre o período da manhã e à tarde na parte da escola, no setor de educação. Reduziu um número de 18 pessoas neste período em que estávamos reivindicando o nosso pagamento”, conclui a pedagoga.
Sem recursos
Apesar de já depositado, o valor repassado pelo prefeitura só poderá ser utilizado pela Apae com a liberação da Justiça. “Hoje (ontem), nós teremos uma reunião com a juíza em Pederneiras e vamos pedir a liberação desta parcela”, ressaltou Maia, lembrando que a entidade necessita deste dinheiro para poder pagar as despesas e contas, como telefone, combustível, remédio e atendimentos em geral.
____________________
Prejuízo com briga
Na semana passada, as atividades da Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais (Apae) ficaram prejudicadas depois que parte dos funcionários deixaram de trabalhar em protesto ao não pagamento de seus salários devido ao congelamento dos repasses da prefeitura.
Em uma reunião realizada na quarta-feira passada, o então presidente da entidade, o vereador Wandir Donizete Viaro (PTB), e o tesoureiro e também vereador Valdir Maia (PDT), renunciaram aos seus cargos.
A iniciativa foi tomada, segundo Maia, por pressão política da atual administração. “O prefeito está querendo nossa cabeça faz tempo em Itapuí. Como há quatro meses ele não repassa dinheiro e os funcionários estão sem receber, nós paramos a entidade, mais de 50% dos funcionários, durante uma semana. Fizemos uma reunião, e já que ele não quer a gente, nós renunciamos e nos afastamos”, alega o vereador.
Na mesma semana, na sexta-feira (dia 20), o Executivo depositou R$ 8 mil em juízo na conta da Apae. Segundo o prefeito de Itapuí, José Gilberto Saggioro (PPS), o convênio com a Apae não teria sido renovado em junho por causa de supostas irregularidades que teriam ocorrido com o Programa Saúde da Família (PSF), anteriormente administrado pela entidade.
“Este convênio venceu em junho deste ano. Eu não tinha renovado ainda porque existia aquela pendência do PSF. Uma vez que isso está sendo investigado pelo Ministério Público e Federal, nós mandamos o convênio para a Câmara no dia 9 de outubro. Ele foi aprovado na Câmara e dia 19 retornou para nós (o Executivo) e aí no mesmo dia nós renovamos o convênio. Na última sexta-feira, dia 20, nós já fizemos o depósito de uma parcela, no valor de R$ 8 mil. Este depósito foi judicial porque nós temos uma autorização da Justiça de que todos os depósitos para a Apae podem ser feitos no judicial”, argumenta o prefeito de Itapuí.
Maia revela que deve entrar com uma ação na Justiça por calúnia e difamação contra o prefeito, que teria alegado desvio de dinheiro por parte dos ex-administradores da Apae.
“Nós vamos entrar com uma ação de calúnia e difamação porque ele alegou que nós desviamos dinheiro. Nós estamos esperando o relatório do Ministério Público Federal, da comprovação do investimento do dinheiro. Vamos entrar com uma ação contra ele”, rebate o vereador, ressaltando que já foi feita a prestação de contas de 2005 comprovando o uso correto dos recursos repassados.