08 de julho de 2026
Internacional

Padre brasileiro será capelão no Iraque

Por Cíntia Acayaba | Folhapress
| Tempo de leitura: 2 min

Bagdá - Pela primeira vez, um brasileiro acompanhará o Exército britânico na Guerra do Iraque. O padre anglicano Carlos Tomé, 42 anos, será o capelão de um regimento da Artilharia Real britânica entre maio e novembro de 2007.

O paraibano participará dos treinamentos para situações de guerra junto com os 500 homens da tropa a partir de fevereiro próximo, no Reino Unido. Depois, viaja com os soldados para o sul do Iraque. “Soube que faz 55ºC de dia e de 10º a 15ºC à noite. Mas paraibano está acostumado com calor”, diz.

Os capelães têm a função de aconselhar as tropas. “Sou responsável pelo bem-estar emocional, espiritual e moral dos soldados”, afirma. Para o padre, o fato de ser brasileiro pode contribuir para a relação dos britânicos com os iraquianos. “Muitos não vivenciaram uma experiência de Terceiro Mundo. Posso ajudá-los com o choque de realidade.”

O brasileiro será o único do grupo que não usará armas. “Até os médicos usam armas. Como sou o único capelão do regimento, sou o único dos 500 homens desarmado”, diz.

O padre afirma não temer a violência e se diz tranqüilo. “Desde que me tornei capelão do Exército sabia da possibilidade de ir para o Iraque. Já passei por momentos de perigo, como a guerra pela terra no Brasil. Vi muitas pessoas assassinadas por capangas.”

Nascido em uma família evangélica, Tomé diz que durante uma viagem missionária internacional descobriu que a Igreja Anglicana é “mais aberta para aceitar diversas formas de pensar”. Decidiu então aprimorar seus estudos religiosos no Reino Unido, onde trabalhou por quatro anos, até obter cidadania, em 1995. De volta ao Brasil, fundou uma igreja no sertão paraibano e trabalhou seis anos com famílias sem-terra.

Em 2004, o padre retornou ao País de Gales para continuar os estudos. Desde então, foi padre em duas paróquias e, em 2006, foi aprovado para o curso de capelania na Academia Real Militar de Sandhurst, uma das mais tradicionais escolas militares, que treina oficiais do Exército Britânico há mais de 200 anos e onde estuda o príncipe Harry.