Bagdá - Pressionados pelo recrudescimento da violência no Iraque e pela morte este mês de 91 de seus militares, os EUA anunciaram ontem, por meio de seus dois principais homens em Bagdá, que dentro de 12 a 18 meses os iraquianos estariam em condições de assegurar a segurança interna, o que é a condição para a retirada dos combatentes americanos.
O prazo foi anunciado por Zalmay Khalilzad, o embaixador americano no Iraque, enquanto o comandante das forças americanas, general George Casey, afirmava que já estão reunidos três quartos dos requisitos de um projeto para que a segurança seja exercida pelos próprios iraquianos. Casey também disse que, para neutralizar a insurgência, ele poderia pedir ao Pentágono o envio de 7 mil novos soldados ao Iraque, além dos 141 mil já mobilizados naquele país.
A impressão de que o embaixador e o general estejam sendo excessivamente otimistas aparece pelo contraste com as declarações, ontem em Berlim, de Margaret Beckett, chefe da diplomacia britânica. “Sei o quanto posso desapontá-los, mas trata-se de algo em que ninguém seria capaz de fixar prazos ou cronogramas”, afirmou, em referência à hipótese de a segurança iraquiana adquirir suficiente autonomia. Ela é ministra de Tony Blair, único aliado incondicional do presidente George W. Bush. O general Casey e o embaixador Khalilzad deram uma rara entrevista coletiva conjunta na ultraprotegida Zona Verde de Bagdá.
O relativo otimismo quanto à capacitação a médio prazo da polícia e do Exército iraquianos coincide com declarações dadas na véspera, em Washington, pelo chefe do Pentágono, Donald Rumsfeld. Ele afirmou que o governo americano e seus chefes militares negociavam para obter do Iraque um plano para que o governo local assumisse o controle de 16 províncias ainda em mãos de tropas americanas. O Iraque tem 18 províncias. Ou seja, o governo local controla apenas duas províncias, no sul, enquanto, segundo estimativa do general Casey, 90% dos confrontos entre grupos muçulmanos ocorrem em Bagdá e cercanias, e 90% dos atos da insurgência se concentram em apenas cinco províncias.
Essas declarações têm como pano de fundo as eleições americanas do próximo dia 7, em que o Partido Republicano, do presidente Bush, pode perder a maioria na Câmara e no Senado, sobretudo pelo fracasso de sua política no Iraque.
Pesquisa encomendada pela CNN demonstra que só 20% dos eleitores acreditam que a guerra está sendo ganha. É a metade dos que tinham há um ano a mesma impressão.