09 de julho de 2026
Internacional

Israel ampliou colônias após retirada

Folhapress
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Jerusalém - Contrariando uma promessa feita por Israel ao governo norte-americano, a expansão dos assentamentos judaicos na Cisjordânia continua avançando, em muitos casos invadindo propriedades particulares de palestinos. A revelação faz parte de uma investigação secreta feita pelo setor de defesa israelense nos últimos dois anos, que, apesar de ter sido apresentada aos dois últimos ministros da pasta, foi mantida longe dos olhos do público até ontem.

Segundo o jornal “Haaretz”, fontes de segurança que leram o estudo classificaram seu conteúdo de “dinamite política e diplomática”. As mesmas fontes disseram ao jornal israelense que a investigação não foi divulgada pelo governo para evitar uma crise com os EUA, um dos principais patrocinadores do chamado “Mapa do Caminho”, o esboço de plano de paz entre Israel e palestinos que tem no congelamento dos assentamentos um de seus pontos principais.

De autoria do general Baruch Spiegel, que foi para a reserva no início do mês, o estudo mostra, além da “construção descontrolada” na Cisjordânia, como classifica o “Haaretz”, que autoridades do governo apagaram intencionalmente informações de um banco de dados sobre a construção na Cisjordânia com o objetivo de ocultar a escala da expansão. “A construção na Cisjordânia tem avançado há anos, em flagrante violação da lei”, diz o “Haaretz”, que divulgou a investigação em sua edição de ontem.

Israel assumiu o compromisso de suspender e coibir a ampliação de assentamentos nos territórios palestinos ocupados ao aceitar os princípios do plano de paz enunciado pela primeira vez pelo presidente George W. Bush, em 2002. Desde então, contudo, a violência entre palestinos e israelenses continuou, impedindo qualquer avanço.

A Autoridade Nacional Palestina (ANP) também não cumpriu sua parte do acordo - que tem o apoio do Quarteto para o Oriente Médio (além dos EUA, ONU, União Européia e Rússia) - principalmente na repressão aos atos de violência contra Israel.

Embora o governo israelense afirme que tem o direito de ampliar os assentamentos atuais, para acompanhar o seu crescimento demográfico, o estudo divulgado pelo “Haaretz” mostra que a construção na Cisjordânia tem ultrapassado as fronteiras das colônias. Em alguns casos, invadiu propriedades palestinas, o que infringe a própria lei israelense.

Ao ser questionado sobre a investigação, um porta-voz do Ministério da Defesa confirmou que o estudo existe, mas negou-se a discutir seu conteúdo, afirmando que o banco de dados havia sido alterado por funcionários do governo simpáticos à causa dos colonos. A reportagem não dá números da expansão, mas a organização israelense Paz Agora afirma que licenças para 952 novas casas em assentamentos foram emitidas nos primeiros oito meses deste ano.

Eleito em março com uma plataforma política que incluía a promessa de remover pequenos assentamentos e reforçar os maiores para efetuar uma retirada semelhante à feita na Faixa de Gaza, no ano passado, o premiê Ehud Olmert parou de falar no projeto após a Guerra do Líbano, que enfraqueceu em Israel o conceito de cessões unilaterais de território.