09 de julho de 2026
Articulistas

Argentina como exemplo


| Tempo de leitura: 2 min

Na reta final para elegermos o nosso presidente da República deveríamos nos lembrar do exemplo que os argentinos deram contra os desmandos dos poderosos.

Como brasileiros não gostamos dos argentinos e eles não gostam de nós. Mas não devemos nos esquecer que este rancor não é natural e nos foi incutido ao longo dos anos com especial sucesso devido sermos, nós e eles, as maiores potências da América Latina, e queremos exercer esta liderança sem contestação. No entanto, bem de perto, somos muito parecidos.

Nascemos como áreas coloniais destinadas a produzir riquezas para as nossas metrópoles e tivemos a influência política dos grandes proprietários, entre eles chamados de caudilhos e, entre nós, de coronéis.

Eles não tiveram uma escravidão negra expressiva e as populações indígenas são mais urbanizadas e organizadas do que as nossas. A nossa escravidão negra foi mais acentuada e os nossos índios, mais preservados nas suas culturas originais, não se urbanizaram como os deles.

Como se vê, muitas semelhanças e muitas diferenças.

Na semana que passou, os argentinos nos deram uma lição de civilidade e mobilização, quando protestaram pelo desaparecimento de um aposentado que servira como testemunha em um processo de tortura durante o regime militar argentino (1976-1982), muito mais cruel do que o nosso.

No dia seguinte ao desaparecimento, diante da Casa Rosada, 100 mil argentinos se reuniram para protestar e exigir providências das autoridades policiais competentes sobre o paradeiro desse infeliz operário aposentado.

Nós devemos ter a Argentina e os argentinos como exemplo e aprendermos a protestar com milhares de pessoas nas ruas quando for necessário, como agora, em que foram eleitos 13 parlamentares acusados de desviarem milhões de dólares de dinheiro público.

É uma calamidade pública, moral, política, ética que ainda se permita pessoas acusadas de crimes tão graves disputarem eleições e poderem ser eleitas. E tão grave quanto, é não se indignar como os argentinos e não sair às ruas para exigir providências enérgicas das autoridades públicas, dos tribunais e dos poderes constituídos contra a eleição de pessoas suspeitas.

O autor, Fábio Paride Pallotta, é professor de História do Ensino Médio do Colégio Fênix