Escurinho, luzes neon, som alto e uma aglomeração de jovens dançando e paquerando. Ontem à tarde, cerca de 250 alunos da Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais (Apae) tiveram a oportunidade de sair da sua rotina normal e cair na balada. Eles foram os protagonistas de uma festa realizada num badalado point noturno de jovens de Bauru, a boate Live.
A maioria chegou sozinha, vindos de casa ou do trabalho. Na entrada, às 14h, expectativa e vergonha. No interior da boate, que cedeu o espaço para a realização do evento, ambiente a meia luz. “Muitos são cadeirantes, então as luzes ficam acesas para que eles se situem no local”, explica o professor de expressão corporal da Apae, Luciano Francisco Grotto, um dos organizadores da festa. Depois de algum tempo, a intensidade da luz diminuiu propiciando que qualquer sentimento de vergonha fosse deixado de lado. A animação durou até o encerramento da festa, às 16h30.
Segundo Grotto, todos os jovens, a partir de 14 anos, que participam de atividades da entidade estiveram presentes. “Foi a realização de um sonho tanto para eles, que todos os anos pediam uma festa como esta, quanto para nós que conseguimos trazer essa alegria para eles”, afirma.
De acordo com Grotto, a realidade desse tipo de festa está longe do alcance da maioria dos alunos da instituição. “O maior complicador para que eles participem, em dias normais, de atividades como esta, é o custo. A maioria deles tem baixa renda”, destaca o professor.
O evento é realizado anualmente e faz parte do Projeto Ser Jovem. O principal objetivo é proporcionar a inclusão dos alunos da Apae às atividades realizadas corriqueiramente por pessoas sem necessidades especiais.