Já apinhadas de buracos, ruas de bairros periféricos de Bauru aguardam a temporada de chuvas, que deve começar em novembro, para entrar em “férias”. Com a força das águas, muitas delas ficarão interditadas complicando a vida de moradores de regiões diferentes da cidade.
“Quando chove, não entra carro. Não dá nem para sair na rua. Vira um rio mesmo”, comenta a dona de casa Maria de Almeida. De acordo com ela, os moradores já fizeram abaixo-assinado e reivindicaram melhorias, em vão. A quadra 10 da alameda Tróia, no Parque Santa Edwirges transformou-se numa ilha de terra, entre dois trechos pavimentados.
O jeito é aprender a conviver com o problema. Aos 11 anos, Leonardo Guilherme Borjas Andrade já sabe que, sem cuidado, não é possível trafegar com bicicleta pelas ruas do bairro. Mas os cuidados e preocupações não lhes são peculiar. Sofrem com problema semelhante os moradores de bairros como o Pousada da Esperança 1 e 2, que anteontem pararam oito ônibus em protesto. Também estão em situação precária trechos da Vila São Paulo, a parte baixa do Parque Jaraguá, o Jardim Andorfato, o Parque Santa Cândida, a Vila Santista e o Parque Roosevelt, por exemplo.
“Isso aqui está um horror. Quando chove, acaba o nosso sossego. A força da água é tão forte que leva tudo. Tenho medo que o poste (de energia elétrica) caia e atinja a minha casa. Eu tenho um casal de filhos (de 2 e 7 anos)”, comenta a dona de casa Marlene Menezes de Oliveira, moradora do Parque Val de Palmas.
Seu “fantasma”, o poste, está situado na quadra 2 da rua Luiz Crepaldi. No quarteirão anterior mora o mototaxista Anderson da Silva Santos, que há cerca um mês caiu da moto por conta da precária situação da rua.
A sogra dele, Quitéria dos Santos Silva, já perdeu a esperança de ver a rua em boas condições de trânsito ou pavimentada. O desalento também atinge moradores de bairros como o Edson Francisco da Silva (Bauru 16), Parque Viaduto, Ferradura Mirim, Parque Júlio Nóbrega, Quinta da Bela Olinda e especialmente o Jardim Ivone.
Motoristas de circulares que trafegam por essas regiões comentam que a situação das vias públicas resulta em avarias freqüentes nos veículos.
Preocupação
A atual situação da periferia da cidade é motivo de preocupação para a Defesa Civil. Ainda mais porque, neste ano, Bauru poderá enfrentar chuvas acima da média, em virtude o fenômeno El Ninho, informa o coordenador do órgão, Álvaro de Brito.
Ele teme que o maquinário e o pessoal disponibilizado pela administração municipal não seja suficiente para atacar o problema, nos bairros antes que a chuva chegue. Brito defende mais investimentos em galeria de águas pluviais, além da contratação de empresa especializada para limpar as já existentes.
Existem, no entanto, outras demandas urgentes. O estoque estratégico da Defesa Civil, por exemplo, precisa ser renovado para a próxima temporada das águas. A administração municipal precisa providenciar mais colchonetes, cobertores e lona plástica.
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Pousada
Apesar do protesto promovido anteontem por cerca de 80 moradores do bairro Pousada da Esperança 2, a Secretaria de Obras reiterou que não há previsão para a pavimentação das ruas do bairro neste ano. Em função da precária situação das vias, os manifestantes aproveitaram que um ônibus afundou na terra por conta da ruptura de uma tubulação de água para parar oito circulares e interditar três ruas.
A dificuldade para fazer asfalto foi repassada aos moradores do bairro há cerca de dois meses, numa reunião, explica Elaine de Cássia Orti Araújo, titular da Obras. “Se o pessoal parar para refletir como estava em 2004 e como está agora, melhorou uns 40%”, garante o secretário das Administrações Municipais, Nélson Fio.
O problema na rede de esgoto, que interrompeu a circulação do ônibus, foi resolvido ontem à noite, informa a assessoria de imprensa do Departamento de Água e Esgoto (DAE).