09 de julho de 2026
Internacional

Disco costura hits para conquistar novos fãs

Folhapress
| Tempo de leitura: 2 min

Coletâneas do tipo “best of” costumam ser lançadas em três ocasiões: 1) como refresco para a memória quando a carreira do artista é por demais extensa; 2) como caça-níquel no caso de novatos que estão “bombando”; 3) como obra póstuma. Para “Respect M.E.” assinale nenhuma das anteriores. Alguém pode sugerir que seis discos em nove anos não são o bastante para preencher uma retrospectiva. Mas o resumo em questão funciona mais como introdução à obra do que nostalgia.

Missy Elliott quer fisgar novos fãs -não à toa o disco foi lançado apenas na Europa, Austrália e Brasil. Dona Melissa não dá ponto sem nó. São 17 faixas pinçadas desde “Supa Dupla Fly” (1997), até “Cookbook” (2005). Para quem nunca ouviu falar da mulher - nesse caso, parabéns, você esteve imune à cultura pop nos últimos dez anos -, é simples: “Respect M.E.” cumpre muito bem as devidas apresentações. Para os fãs, é um bom suvenir, mas não é essencial. O disco abre com “Get Ur Freak On”, de 2001, hit de pista produzido pelo amigo de infância e parceiro Timbaland.

As igualmente arrasa-quarteirões “Work It”, “Gossip Folks” e “Pass that Ducth” compõem a primeira metade do álbum, costurada pelos beats mais poderosos e dançantes e pela ode à velha escola do hip hop, que ela iniciou em 2002, no álbum “Under Construction”. Desse disco é imperdoável a ausência da saudosista e portanto necessária “Back in the Days”, em que ela questiona “O que aconteceu com aqueles bons e velhos tempos?/ quando o hip hop era muito mais divertido/ só o que importava era a música”.

As referências às origens do hip hop continuaram em “Cookbook”, do qual a coletânea retira “We Run This”, construída sobre o sample de “Apache”, a primeira música sampleada da história.

O disco começa a cair quando volta ao R&B de “Supa Dupa Fly” e “Da Real World” (1999). Missy Elliott é muito melhor rimando, apesar de guardar uma competente faceta crooner. Se fosse Jay Z - e, portanto, homem- talvez dona Melissa já tivesse virado do avesso o mercado pop. Não que não tenha colecionado cifras, prêmios e reconhecimento. Mas com “Respect M.E.” ela parece querer dizer mais - que para estar no topo é preciso ser digna de respeito.