08 de julho de 2026
Turismo

Diamantina

Eliane Barbosa
| Tempo de leitura: 3 min

A última parada da Estrada Real, Diamantina, preserva ruelas íngremes com calçamento pé-de-moleque, pousadas aconchegantes como Tijuco, Relíquias do Tempo, Caminho dos Escravos e Jardim da Serra e um preservado casario colonial da época da extração do diamante, no século 18. Patrimônio Cultural Mundial e distante 297 quilômetros de Belo Horizonte, é mais tranqüila do que Ouro Preto, que concentra as obras de Aleijadinho.

Um lugar para curtir o jeito mineiro de ser, fazer compras de cerâmicas do Vale do Jequitinhonha, de pedras semipreciosas e cristais de rocha, tapetes de arraiolos e bonecos e flores de palha. E de se encantar com o barroco de suas igrejas com ricos altares folheados a ouro.

A Igreja de Nossa Senhora do Carmo (1760-1784), por exemplo, possui um órgão com cerca de 700 tubos e altares folheados a ouro. O campanário, segundo o “Guia Quatro Rodas –Brasil 2006”, foi curiosamente construído nos fundos, uma característica rara em igrejas de todo o mundo.

Terra de Juscelino Kubitschek, o presidente bossa-nova, de Chica da Silva, a escrava que enfeitiçou o português João Fernandes - que a tratava como rainha -, de Padre Rolim, um dos mentores da Inconfidência Mineira, e do maestro Francisco Nunes, fundador da Orquestra Sinfônica do Rio de Janeiro, entre outros tantos famosos, Diamantina, ao contrário do circuito Ouro Preto-Mariana-São João del Rey e Tiradentes, fica mais distante da Capital, Belo Horizonte, e quem sabe por causa disso é mais sossegada.

Com mais de dois séculos de existência, Diamantina conta com centro histórico bem conservado, onde os visitantes encontram resquícios de uma época não tão distante rica em ouro e diamantes.

Nasceu como Arraial do Tijuco, no século 16, fundada pelos bandeirantes. Nessa época o interesse dos desbravadores e dos garimpeiros que os seguiram era apenas pelo metal dourado. Os diamantes encontrados eram tratados como simples pedrinhas usadas para a jogatina.

Somente anos depois deram-se conta do valor das esmeraldas e outras pedras preciosas, tão cobiçadas pela Coroa Portuguesa, que colocou em prática medidas duras para evitar o contrabando, exigindo pagamento de tributos, que revoltaram os mineiros.

O que seguiu está nos livros de história, cabendo aos turistas conhecer os lugares por onde escravos e portugueses influentes passaram. Está tudo em perfeita ordem no Centro da cidade. Comece o passeio a pé pela rua do Burgalhau, onde as casas que deram origem ao Arraial do Tijuco podem ser visitadas.

O prédio que abriga o Mercado Municipal foi, no passado, um antigo rancho de tropeiros, enquanto que a Casa do Contrato se tornou o Palácio Episcopal. São ainda paradas obrigatórias a Casa de Chica da Silva (do século 18, que abrigou entre 1763 a 1771 o contratador de diamantes João Fernandes de Oliveira e a escrava alforriada); a Casa de Juscelino Kubitschek, onde JK passou a infância; a Casa da Glória, que abriga o Centro de Geologia Eschevege, com passadiço sobre a rua da Glória, e a Casa do Muxarabiê, com varandas com arquitetura moura, com treliças.

Saindo do Centro, pode-se visitar a Gruta do Salitre, com quatro salões, na Estrada do Curralinho; o Museu do Diamante, com salas de mineração; a Vila de Biribiri com casas de operários; as cascatas da Sentinela e dos Cristais, com piscinas naturais, e o Caminho dos escravos, parte do caminho de pedra construído pelos escravos.

Patrimônio Cultural da Humanidade, título concedido pela Unesco, Diamantina oferece duas vezes ao mês (aos sábados, entre março e outubro) apresentações musicais nas sacadas dos casarões da rua da Quitanda. Também neste mês de outubro, os visitantes podem participar da Festa do Rosário, com missas, apresentações musicais e quermesse.

Conta a lenda que a torre da Igreja do Carmo, a mais luxuosa de Diamantina, foi construída nos fundos a mando de Chica da Silva, amante do contratador João Fernandes, que a bancou. A ex-escrava não queria que seu sono fosse interrompido pelo badalo dos sinos da igreja, que chamaria os fiéis para as preces.