10 de julho de 2026
Nacional

Após acidente da Gol, saturação do controle de tráfego aéreo preocupa

Por Patrícia Zimmermann | Folhapress
| Tempo de leitura: 4 min

Brasília - A saturação do controle de tráfego registrado anteontem nas proximidades do aeroporto de Brasília preocupou as autoridades responsáveis por essa atividade e o governo, ainda sob o efeito da queda do boeing da Gol, que causou a morte dos 154 ocupantes no mês passado. O motivo dessa saturação foi o aumento do tráfego de aeronaves de pequeno porte nos últimos dias na região.

“Acendeu a luz amarela”, resumiu o presidente da Infraero (estatal que administra aeroportos), brigadeiro José Carlos Pereira, após participar de reunião sobre o assunto no Palácio do Planalto, convocada pela ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff. Também participaram do encontro o ministro da Defesa, Waldir Pires, o comandante da Aeronáutica, Luiz Carlos Bueno, e diretores da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac).

Segundo Pereira, a situação ocorreu porque o número de aeronaves, entre vôos regulares e particulares, que trafegam pelo setor 5 de Brasília (entre Brasília e São Paulo) superou o limite de vôos por controlador, que é de 14, segundo norma internacional de segurança.

Para evitar que um controlador ficasse responsável pelo monitoramento de mais de 14 vôos no mesmo instante, o que poderia afetar a segurança dos vôos, as aeronaves em terra precisaram ter seus horários de decolagem atrasados, e as que estavam voando foram orientadas a reduzir a velocidade, gerando confusão nos aeroportos.

O número de vôos em questão não reflete apenas os pousos e decolagens em Brasília, mas também o sobrevôo de aeronaves que passam pela região para destinos diversos, mas que também são monitoradas. A “saturação”, que provocou atrasos que variaram de 20 minutos a até duas horas, em Brasília, em Congonhas (SP) e em também em outros aeroportos, já havia sido registrada durante três dias na semana passada, deixando o governo e especialmente a aeronáutica em alerta.

Alternativas

Durante a reunião de ontem, duas alternativas uma de curto e outra de médio prazo, foram levantadas para solucionar o problema. O presidente da Infraero informou que a Aeronáutica irá deslocar inicialmente controladores de vôos de outras regiões para reforçar o setor saturado em Brasília. Entretanto, ele mesmo explicou que esses novos controladores precisarão de oito a dez dias de treinamento para se adaptarem ao setor.

Pereira admitiu ainda que os oito controladores afastados temporariamente após o acidente envolvendo o vôo da Gol, no dia 29 de setembro, estão fazendo falta no controle do espaço aéreo de Brasília, que conta com aproximadamente 190 controladores, divididos em quatro turnos. Segundo ele, o ideal seria que ao menos quatro desses controladores fossem liberados rapidamente, o que depende de exames médicos e psicológicos. A solução de médio prazo, no entanto, dependerá de investimentos não só em recursos humanos (a contratação de novos controladores), mas também de infra-estrutura e tecnologia.

A idéia, que será melhor avaliada pela Aeronáutica, é subdividir o setor saturado (cinco) em dois. Para isso, no entanto, será preciso instalar antenas de comunicação e destinar uma nova faixa de freqüência de rádio, o que poderá custar até R$ 10 milhões. A Aeronáutica, a Anac e a Infraero estão se preparando para evitar que a saturação no controle do espaço aéreo se repita durante o feriado prolongado na próxima semana. De acordo com o brigadeiro, o aeroporto de Brasília (infra-estrutura física) deverá atingir até o fim deste ano o limite de sua capacidade, que é de 3.800 passageiros por hora.

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Morte de controlador

São Paulo - Um dos controladores de vôo responsáveis pela torre do Aeroporto Internacional Afonso Pena, em São José dos Pinhais (Grande Curitiba), infartou na manhã de ontem. Os trabalhos tiveram que ser interrompidos para que o profissional fosse atendido e, segundo a Infraero (empresa que administra os aeroportos do país), 26 pousos e decolagens atrasaram.

Embora confirme a ocorrência, o Cindacta 2 (Centro Integrado de Defesa e Controle de Tráfego Aéreo), subordinado à Aeronáutica, não dava mais informações sobre o incidente, a identidade do controlador ou o estado de saúde dele, até as 15h30. Segundo a Infraero, o sistema permaneceu parado entre as 7h40 e as 8h15. As oito decolagens que deveriam ter ocorrido neste período foram atrasadas, provocando uma série de demoras.

A situação só foi normalizada às 10h. Em 2005, o aeroporto Afonso Pena teve um movimento de 58.050 aeronaves e 3.393.079 passageiros.