08 de julho de 2026
Internacional

Nos EUA, cresce vantagem democrata

Folhapress
| Tempo de leitura: 4 min

Washington - A menos de duas semanas das eleições legislativas nos Estados Unidos, duas pesquisas divulgadas ontem traduziram em números uma tendência que deve mudar o equilíbrio de poder no país. Em ambas as sondagens os democratas ampliaram para 11 pontos percentuais a vantagem sobre os republicanos do presidente George W. Bush na preferência do eleitorado, que irá renovar toda a Câmara dos Representantes e um terço do Senado no dia 7.

A pesquisa do instituto Zogby e da agência Reuters ouviu 1.013 eleitores: 44% afirmaram que votarão no Partido Democrata e 33% no Republicano. Na pesquisa anterior, há um mês, a vantagem era de nove pontos. O Pew Research Center, órgão independente de Washington, obteve números diferentes e vantagem igual: 49% contra 38%.

A crescente insatisfação com a Guerra do Iraque, que tem dominado a campanha, teve impacto significativo na ascensão democrata. As dúvidas sobre a ação militar norte-americana no país árabe aumentaram desde a pesquisa anterior da Zogby-Reuters: 57% acreditam que o esforço de guerra não vale o sangue derramado, contra 53% um mês atrás.

Enquanto a pesquisa era divulgada, a morte de mais cinco soldados dos EUA fazia de outubro o mês com o maior número de baixas americanas no Iraque no último ano: 96. Na pesquisa do Pew, 43% dos entrevistados acham que os EUA fizeram a coisa certa ao invadir o Iraque, contra 49% em setembro. A proporção dos que consideram que a ação no Iraque vai mal subiu de 48%, em setembro, para 59% na pesquisa divulgada ontem.

As duas casas do Congresso norte-americano são dominadas pelo partido de Bush. Para recuperar a maioria nas duas, os democratas precisam de mais 15 deputados e seis senadores. A porcentagem de indecisos (19% dos eleitores) ainda é significativa, mas o tempo está ficando escasso para que os republicanos virem o jogo.

“Os republicanos estão em apuros’’, disse o pesquisador John Zogby. “Ainda há muitas disputas abertas, mas a montanha a ser escalada pelos republicanos é alta, e está ficando tarde.’’ A maioria dos eleitores não deve ser influenciada pelo escândalo envolvendo o deputado republicano Mark Foley, que há cerca de um mês teve que renunciar depois da revelação de que enviara e-mails com conteúdo sexual a ajudantes adolescentes do Congresso.

Segundo a pesquisa Zogby-Reuters, 74% dos entrevistados disseram que o caso não terá influência em seu voto. Hoje Bush voltou a abordar o principal tema da campanha, defendendo mais uma vez a política adotada por seu governo no Iraque. “Não podemos permitir que nossa insatisfação se transforme em desilusão sobre nosso objetivo na guerra.’’

No dia anterior Bush havia admitido que não estava satisfeito com a situação no Iraque. Metade dos entrevistados na pesquisa Zogby-Reuters é favorável à saída das tropas norte-americanas até o fim de 2007.

Alvo preferencial dos que criticam a ação dos EUA no Iraque, o secretário de Defesa Donald Rumsfeld contra-atacou. Para ele, as críticas carecem de objetividade por terem motivação eleitoral. “Estamos na temporada política e todos estão tentando fazer alguma travessura, transformar (o tema do Iraque) em um futebol político’’, disse Rumsfeld.

Segundo a pesquisa Zogby-Reuters, 49% dos consultados não vêem motivo para ele deixar o cargo. Além de defender sua política para o Iraque, Bush tocou ontem em outros temas quentes da campanha, como a união civil entre homossexuais.

O presidente norte-americano criticou a decisão emitida ontem pelo Supremo de Nova Jersey, que determinou que casais homossexuais devem ter os mesmos direitos dos heterossexuais. “Acreditamos nos valores familiares, que eles são valores importantes, e acreditamos que o matrimônio seja uma instituição fundamental da civilização’’, disse Bush.

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Clinton

Washington - A senadora Hillary Clinton, uma das principais candidatas democratas à sucessão de Bush, festejou ontem seu 59º aniversário com um disputado jantar de arrecadação de fundos em Nova York, com convites a US$ 1.000 cada.

O ex-presidente Bill Clinton contou que, ao perguntar o que a mulher queria de presente, Hillary pediu que ele fizesse campanha pelos candidatos democratas. O comando militar dos EUA informou ontem que mais cinco soldados norte-americanos foram mortos no Iraque, elevando a 96 as baixas no mês de outubro, o mais sangrento para o país nos últimos 12 meses. Além disso, 28 policiais foram mortos em um ataque insurgente em Bagdá.