Assim começa um dos mais lindos sambas, cantado na voz da Marrom, Alcione. E é verdade. Bauru perde uma voz macia, mãos carinhosas que massageavam o couro do pandeiro e que com tal magia, transformava fachadas de casas em verdadeiras obras de arte.
Morreu Helinho do Pandeiro. A notícia me fez engolir atravessado o ultimo gole de uísque que me faz companhia todas as noites, no alpendre de minha casa, aqui em Sousas, distrito da cidade de Campinas. Toca o telefone, e o Mee, Mauricio me dá a notícia: “Tio, acabou o sofrimento do Helinho”. Mas que bom que o sofrimento acabou. Ele foi vítima de sua profissão. Helinho sempre dizia: “Irmão, a vida tem que acabar para nós, depois que a gente tirar todo o proveito que ela nos oferece”. Com certeza ele tirou um bom proveito. Amou sua família, criou os filhos com o suor do trabalho, curtiu a música como poucos e foi o amigo que todos nós sempre queremos e merecemos ter na vida. Se for ironia do destino, ou, um cronograma divino, Helinho se foi às vésperas das eleições presidenciais, tal como o Osni. Estou falando de pessoas que viveram a época de ouro do Grupo Gota D’água. Já estão no andar de cima: Zé Viera, Osni, Tião 7 Cordas, Galvão de Moura (grande incentivador), Noite Ilustrada (que abençoou aquela turma toda). Fica a saudade, mas fica também a honra de ter tido como grande amigo. A Bauru do samba está triste, mas o céu está cheio de alegria, porque enfim chegou mais um.
E que os anjos digam amém.
Edgard Martins - radialista, músico e jornalista - Campinas