11 de julho de 2026
Polícia

Polícia Militar vai à casa de vítima de roubo na zona sul passar técnicas de segurança

Luciana La Fortezza
| Tempo de leitura: 3 min

O trauma de enfrentar um assalto não cai no esquecimento, mas pode ser superado. E um outro roubo pode ser evitado. Para ajudar nesse processo, a Polícia Militar (PM) adotou a estratégia de reunir moradores que passaram pelo susto. Juntos, eles trocam experiências e tomam conhecimento de técnicas de segurança primária, transmitidas por policiais.

Ontem à noite, o treinamento foi dirigido a moradores de uma rua do Jardim América. Cerca de 30 deles acompanharam slides, fotografias e receberam dicas sobre como acionar a polícia. Atentos, foram informados de regras de segurança para a entrada e saída das residências.

Foi neste percurso que uma assistente social foi flagrada na noite de anteontem por quatro homens armados. “Só reagi porque achei que depois poderia ser pior”, comenta a vítima, que terá o nome preservado por questões de segurança. Ela gritou o nome da vizinha, que a ouviu e providenciou socorro. Sem saber, adotou a teoria dos três pontos, idealizada pelo major Nélson Garcia Filho, subcomandante do 4.º Batalhão de Polícia Militar.

Teoria dos três pontos

Ela consiste numa rede de informações e proteção entre vizinhos. A recomendação, portanto, é conhecer o vizinho da direita, da esquerda e o da frente. “Muitos assaltos foram esclarecidos e frustados com a ajuda de vizinhos. Eles desconfiam de algo estranho e acionam a polícia”, comenta o major. Por causa dessa atenção entre moradores, 70% dos furtos ocorrem pelo arrombamento da porta da cozinha.

“Pela porta da frente, o vizinho pode observar”, acrescenta Garcia Filho. De acordo com ele, as reuniões como a de ontem visam aumentar a sensação de segurança entre as pessoas que foram vítimas de assalto. A reportagem constatou esse fortalecimento entre os moradores que participaram da reunião ontem. O trauma enfrentado por eles, no entanto, não é tão recente quanto o da assistente social.

Ainda muito fragilizada, ontem à noite ela preferiu permanecer em casa para descansar. “Foi tudo muito rápido. Quando eu percebi, eles já estavam dentro da garagem. Normalmente, eu passo pela quadra antes de entrar em casa. Ontem, estava muito focada no trabalho”, comenta.

A observação de pessoas suspeitas nos arredores de casa é fundamental antes de entrar na garagem. A recomendação foi várias vezes ressaltada pela sargento Izamar Cristina Pereira e pelo tenente João da Costa Duarte, comandante da Base Comunitária de Segurança Sul, durante o encontro de ontem.

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Ocorrências

Entre agosto e a primeira quinzena de outubro deste ano foram registrados 89 roubos a residência, estabelecimentos comerciais e transeuntes na região central e sul de Bauru. Quase no mesmo período (até 26 de outubro), quatro casas receberam a “visita” de assaltantes só na área sul. No ano, os casos somam 16. Diante dos números, os moradores do Jardim América receberam atenção especial.

“A PM não é onipresente, onisciente e onipotente. Precisamos do apoio da comunidade. Ela é uma extensão dos olhos da PM”, conclui o capitão Reginaldo de Souza Braga, coordenador operacional interino do 4º Batalhão de Policiamento Militar do Interior (4º BPMI).

Em caso de suspeitas ou de ocorrências policiais, o morador deve ligar para o número 190 ou para a Base Comunitária de Segurança da PM mais próxima de sua casa. Os números devem estar registrados no celular e afixados em locais de fácil acesso.