08 de julho de 2026
Nacional

Alckmin e Lula fazem último debate tenso com troca de ataques

Por Da Redação | Com Folhapress e AE
| Tempo de leitura: 5 min

Os candidatos à Presidência Geraldo Alckmin (PSDB) e Luiz Inácio Lula da Silva (PT) travaram um debate tenso na “arena” montada ontem pela Rede Globo para o derradeiro encontro dessa campanha eleitoral. Em meio ao debate de propostas, os candidatos procuraram fazer ataques mútuos a cada participação.

Em pé e livres para andar por um tablado, em vez de se confrontarem em “púlpitos”, Alckmin e Lula evitaram trocar olhares e respondiam ou replicavam diretamente aos eleitores - indecisos - presentes no auditório. A Globo abriu espaço para que eleitores indecisos, representantes de vários grupos da sociedade, façam perguntas aos candidatos, no primeiro bloco.

O mediador William Bonner, a cada participação, chamava a atenção do candidato para que não ultrapasse o tempo de participação. Ambos os candidatos participaram de seu quarto enfrentamento na televisão, após os debates da Bandeirantes, SBT e Record.

Desde a redemocratização, este foi o segundo turno com o maior número de confrontos entre dois candidatos. Em 1989, foram somente dois. Em 1994 e 1998 não houve segundo turno. Em 2002, os dois candidatos à época somente se enfrentaram uma vez.

Educação e saneamento

O formato estimula a discussão sobre os temas mas não evita os ataques mútuos. Logo na primeira pergunta, sobre educação, Alckmin criticou o fato do Fundo Nacional de Desenvolvimento do Ensino Básico (Fundeb) não ter sido aprovado no governo Lula. Lula replicou que a educação em seu governo é “absolutamente prioritária” e citou uma lista de realizações de seu governo: criação de universidades federais, extensões universitárias e escolas técnicas. E fez a promessa de ampliar o alcance das extensões universitárias.

Os eleitores ainda abordaram a questão da Previdência Social e saneamento básico. Alckmin criticou Lula por ter concedido um reajuste menor para os aposentados e ter “dado” R$ 9 bilhões para os “trabalhadores de uma estatal”. “As pessoas nem sempre medem o que falam (num debate)”, devolveu Lula e criticou medidas tomadas contra a Previdência em 2001, que teriam feito saltar os gastos com auxílio-doença.

Os candidatos foram ainda mais incisivos nas críticas quando o debate passou para a questão do saneamento básico. Lula disse que o problema sempre foi tratado com “total descaso nesse país” e afirmou que as verbas no orçamento para o tema dobraram em seu governo. O tema foi o mote para os dois travarem uma guerra de números, com Alckmin citando números diferentes para “provar” que os recursos para saneamento haviam caído para a metade.

Acusações

O segundo bloco do debate seguiu a linha de os candidatos responderem às questões de eleitores presentes no estúdio da emissora. Os assuntos debatidos foram desemprego, meio ambiente, segurança pública e transporte. Lula usou muita ironia, enquanto o tucano tentou acusar o presidente de omissão. Segundo Lula, sua gestão gerou sete milhões de empregos, mas isso ainda não é suficiente. “O desemprego tem diminuído não na conta que a gente quer”, disse. “É pouco, mas é muito mais do que foi gerado nos últimos 20 anos.” O tucano rebateu dizendo que “o Brasil está perdendo oportunidades” de crescer e gerar empregos no “melhor cenário internacional dos últimos 70 anos”.

“Quando o Lula entrou, tinha oito milhões de desempregados. Agora tem nove milhões”, afirmou o tucano. Alckmin alegou que esse assunto era “coisa séria” porque o fato de o Brasil não crescer afeta a vida das pessoas. “Lamentavelmente, Alckmin, você não está falando coisa séria”, disse Lula olhando para o adversário.

Segundo o presidente, do ponto de vista econômico, sua gestão melhorou o país em comparação ao governo de Fernando Henrique Cardoso (PSDB). “Dizer que o Brasil piorou é remar contra a maré”, disse.

Segurança

O tucano tentou atribuir a culpa pela violência no País ao governo federal. Segundo ele, a origem dos problemas é o tráfico de droga. “Vem tudo de fora. Isso é falta de polícia de fronteira”, disse. O petista também usou da ironia para falar sobre segurança. Em primeiro, ele criticou a repetição de seu adversário. “Esse é o quarto debate que eu faço, e não muda. Não adianta. É sempre a mesma coisa”, afirmou Lula, que elogiou o trabalho da Polícia Federal. Alckmin, então, disse que a segurança pública será sua prioridade, aproveitando para alfinetar Lula. “Eu não vou jogar a culpa nos outros, não vou culpar o passado.”

Lula não aliviou: “A perfeição da polícia de São Paulo resultou no Primeiro Comando da Capital (PCC)”, afirmou o presidente, que ainda criticou o tucano por causa da Fundação Estadual do Bem-Estar do Menor (Febem).

Transporte

Na questão do transporte, a postura de Alckmin foi a mesma: tentou atribuir ao presidente a culpa pelos problemas nos Estados. Segundo ele, “governo federal não pode se ausentar”. “Nós vimos no governo do Lula o metrô parado”, disse Alckmin, mencionando Fortaleza, Recife e Salvador. “Eu vou investir no transporte de alta capacidade”, acrescentou. Lula, então partiu para cima - literalmente - de Alckmin. Cara a cara com seu adversário, o petista disse que, quando assumiu o governo, teve que cortar R$ 24 bilhões que estavam no orçamento, mas não existiam. “Eu nunca entendi o que aquilo significava”, afirmou alfinetando a gestão FHC. Alckmin limitou-se a responder: “Impressionante como ele não assume responsabilidades.”

Corrupção

Voltando ao seu tema favorito durante a campanha, as denúncias de corrupção contra o PT e o governo, Geraldo Alckmin afirmou que “não é possível” que o presidente não soubesse o que se passava na sala do lado, em referência ao escândalo do “mensalão”, envolvendo o ex-chefe da Casa Civil José Dirceu. Lula respondeu afirmando que “falar é fácil”. “Você sabe, Alckmin, que ninguém neste País, nem do PSDB, fez investigação como nós fizermos”, disse o presidente diante de um Alckmin que balançava a cabeça em sinal de reprovação. A Polícia Federal age como jamais agiu em outros momentos, de acordo com Lula, mas o tucano discorda. Para Alckmin, Lula foi omisso e o governo só foi eficiente para “quebrar o sigilo do caseiro Francenildo”.