Começar o ano sem contas é o desejo de muita gente. Mas será que é possível acabar com as pendências financeiras antes que o novo ano comece? Segundo alguns economistas, sim. Porém, é necessário recusar ou reduzir as tentadoras compras de fim de ano para evitar mais dívidas e liquidar as pendentes.
Destinar o dinheiro extra do 13.º salário para pôr as contas em dia é a atitude mais sensata para reduzir os débitos, segundo orienta o economista Adriano Fabri. Ele ressalta que as pessoas devem se lembrar das despesas do começo do ano, antes de gastar com as compras de Natal.
“Em janeiro, vencem o IPTU (Imposto Predial e Territorial Urbano), o IPVA (Imposto sobre Propriedade de Veículos Automotores), têm os gastos com as matrículas e os uniformes escolares, o custo das férias. Tudo isso tem de ser levado em consideração antes de sair às compras neste fim de ano”, destaca Fabri.
Para o economista Mauro Fernando Gallo, o 13.º deve ser usado para o pagamento das dívidas de maior taxa de juros, como é o caso das faturas do cartão de crédito e do cheque especial. Disciplinar os gastos também é uma medida essencial, segundo Gallo, para quem busca abater as contas antes do réveillon.
“Não é porque é Natal que preciso comprar presente para todo mundo ou uma roupa nova para mim. É importante analisar o que está consumindo o dinheiro e ver o que é supérfluo para ser cortado”, destaca. Gallo defende o hábito da administração responsável dos gastos para evitar dificuldades de regularização de débitos mais tarde.
Para Fabri, fim de ano é um período em que as pessoas devem ter muita cautela ao comprar. Ele lembra que uma dívida contraída nesta época, mesmo que parcelada, pode comprometer o orçamento do próximo ano, desequilibrando o orçamento.
“O recomendável é pesquisar bastante e esperar o começo do ano, quando ocorrem as liquidações do comércio. Essa atitude pode representar uma economia significativa”, diz Fabri.
O economista avalia que a melhor maneira de evitar o endividamento é se habituar a fazer orçamento familiar mensal. Dessa maneira, ressalta ele, fica mais fácil perceber onde, quando e quanto deve-se gastar. Ainda conforme Fabri, essa prática também possibilita identificar melhor as compras supérfluas.
Equilibrar os gastos com o rendimento que se tem também é orientação do economista Mauro Gallo.
“Temos que viver com aquilo que ganhamos. Não podemos pensar que o final do ano é um período em que se ganha mais e, por isso, nossos gastos podem ser maiores. Dessa forma, a pessoa começa o novo ano no sufoco”, alerta.
Gallo sugere que as economias geradas pelos cortes de gastos supérfluos sejam aplicadas em poupança. No caso da quantia ser superior a R$ 1 mil e ter previsão para resgate de mais de seis meses, o economista indica investimento em fundo de renda fixa, por conta da valorização ser maior.
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Economia total
Entrar 2007 com o pé direito e, sobretudo, sem dívidas, é o principal objetivo do tosador e esteticista André Luís Rodrigues, 23 anos. Para isso, ele está liquidando suas dívidas e deixando de comprar principalmente roupas, seu principal produto de consumo.
“Desde o meio do ano, consegui me livrar de três contas pesadas. Ainda falta quitar um empréstimo que fiz no banco e mais duas dívidas em lojas de roupa. Quero terminar com elas antes do ano novo. Vou continuar economizando”, garante Rodrigues.
O tosador diz que também tem deixado de lados as baladas de sábado à noite para conseguir se livrar dos débitos que têm tirado seu sono nos últimos meses. “R$ 10,00 (gastos) aqui, R$ 20,00 ali, fazem muita diferença no final do mês”, finaliza.